Premium Itália: um país em recessão e com Salvini a orquestrar o assalto ao poder

Primeiro-ministro italiano discursa nesta terça-feira no Parlamento Europeu. Liga e Matteo Salvini continuam em alta, ao contrário do parceiro de coligação, o 5 Estrelas de Di Maio. E da economia do país.

Cabe a Giuseppe Conte dirigir-se nesta terça-feira à tarde aos deputados do Parlamento Europeu para mais um debate sobre o futuro do continente. Uma iniciativa que tem levado os líderes de cada Estado membro a Estrasburgo (em março do ano passado foi a vez de António Costa). Mas este não é mais um debate. Porque Conte é o chefe de um governo eurocético e nacionalista. E porque o momento é de particular sensibilidade para os transalpinos: a nível interno, a economia afunda-se quando aumenta a especulação de que a coligação tem os dias contados; nas relações externas a querela com Paris atingiu mínimos históricos numa altura em que dossiês espinhosos podem ser afetados; e com a União Europeia o governo populista pode abrir mais uma frente de conflito caso cumpra as promessas relativas ao setor da banca.

A Liga de Matteo Salvini venceu no domingo as eleições regionais em Abruzzo, em coligação com a Força Itália, de Silvio Berlusconi, e os nacionalistas Irmãos de Itália. Ao obterem 48% dos votos retiram do poder a coligação de centro-esquerda, que se ficou pelos 31%. O Movimento 5 Estrelas (M5E), o partido liderado por Luigi Di Maio, ficou nos 20%. Quase metade do que obteve nas legislativas do ano passado naquela região. O partido antissistema, que venceu as eleições e forjou uma coligação de governo com a extrema-direita, está em queda. Assim como as relações entre os dois partidos, divididos em cada vez mais temas, da Venezuela às obras públicas.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.