Falta de mão-de-obra obriga Centenário a adiar investimento de 1,5 milhões

A empresa de calçado que "se quiser comprar uma máquina nova, já não tem onde a meter". Mas a falta de jovens qualificados complica investimento na expansão da fábrica.

Na Centenário, é tempo de pôr em standby o investimento de 1,5 milhões de euros para a expansão da fábrica em Oliveira de Azeméis. É que falta mão-de-obra qualificada. "É um investimento grande e que vamos fazer com meios próprios, mas com a falta de mão-de-obra é complicado... A juventude não quer vir para a indústria do calçado e isso faz-nos pensar que temos de ter os pés bem assentes na terra antes de avançarmos", diz Domingos Ferreira, responsável da empresa. A Centenário é uma das 90 marcas portuguesas que participam na Micam, a maior feira da indústria de calçado que termina amanhã em Milão.

Com uma capacidade produtiva que ronda os 600 pares de sapatos por dia, a Centenário precisa de espaço para "dar fluidez" à produção. "Se quiser comprar uma máquina nova, já não tenho onde a meter", explica o empresário de Cucujães, Oliveira de Azeméis, que, neste ano, reforçou os seus quadros com dez pessoas e dá já emprego a 85 pessoas. O encerramento de uma fábrica vizinha foi a oportunidade para arranjar trabalhadores e, a cereja no topo do bolo, qualificados. "As empresas precisam muito de renovar os seus quadros, sentimos imensa falta da entrada de jovens. O fecho de uma unidade vizinha permitiu-nos absorver funcionários para a costura e a montagem."

A empresa fatura, em média, 7,5 milhões de euros, exportando 95% do que produz, em especial para mercados como a Holanda, Estados Unidos e Espanha. A marca própria vale cerca de 15%. Especializada em calçado de homem, a Centenário dispõe, também, de uma linha para senhora, mais casual, e que tem vindo a apostar mais fortemente. Neste ano investiu no e-commerce, associando-se ao projeto Valorização da Oferta, promovido pela associação do calçado, a APICCAPS, e com o apoio do Compete 2020. "Éramos muitas vezes contactados por consumidores a perguntarem-nos onde podiam comprar os nossos sapatos e achámos que estava na altura de avançarmos com as vendas online e a criação de catálogos, etc. Os jovens compram tudo online e nós temos de estar presentes para aproveitar essa tendência."

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