Premium A bastonária que "para já" não quer o descontrolo

Duvido que, por esta altura, a maioria dos portugueses conheça os verdadeiros motivos desta luta dos enfermeiros. Mas tenho a certeza de que os muitos que estão a sofrer com ela conhecem as consequências. Afinal, as greves são mesmo assim. Só têm efeito se provocarem transtorno - caso contrário, são ineficazes. O problema desta greve dos enfermeiros é que deixámos de discutir as razões do protesto e passámos a discutir uma guerra de trincheiras que tem de um lado o governo e do outro a Ordem dos Enfermeiros. Sim, a Ordem e não os sindicatos.

Os enfermeiros - como tantos outros setores da administração pública - têm muitas e válidas razões de queixa. Ganham miseravelmente, trabalham horas infinitas, a evolução na carreira é uma anedota e são frequentemente subalternizados pelos médicos. É isso que explica, em grande medida, o êxodo de tantos profissionais para o estrangeiro, onde ganham melhor, onde são mais respeitados enquanto profissionais e onde o trabalho é reconhecido com uma progressão na carreira muito mais rápida e bem remunerada.

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Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.