Premium A bastonária que "para já" não quer o descontrolo

Duvido que, por esta altura, a maioria dos portugueses conheça os verdadeiros motivos desta luta dos enfermeiros. Mas tenho a certeza de que os muitos que estão a sofrer com ela conhecem as consequências. Afinal, as greves são mesmo assim. Só têm efeito se provocarem transtorno - caso contrário, são ineficazes. O problema desta greve dos enfermeiros é que deixámos de discutir as razões do protesto e passámos a discutir uma guerra de trincheiras que tem de um lado o governo e do outro a Ordem dos Enfermeiros. Sim, a Ordem e não os sindicatos.

Os enfermeiros - como tantos outros setores da administração pública - têm muitas e válidas razões de queixa. Ganham miseravelmente, trabalham horas infinitas, a evolução na carreira é uma anedota e são frequentemente subalternizados pelos médicos. É isso que explica, em grande medida, o êxodo de tantos profissionais para o estrangeiro, onde ganham melhor, onde são mais respeitados enquanto profissionais e onde o trabalho é reconhecido com uma progressão na carreira muito mais rápida e bem remunerada.

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.