Premium Uma certa ideia do passado

Quase todos guardamos algumas ideias românticas sobre os lugares que habitámos, bairros, aldeias, cidades ou países. Recordamo-nos de amigos que deixámos de ver, namorados ou namoradas, noites de excesso, disparates vários, epifanias e alguns segredos guardados. Lembramo-nos de sermos nós sendo outros, mais ingénuos talvez, temerários, sem os medos, as feridas e as cautelas que entretanto acumulámos. As nossas vidas são palimpsestos, histórias que se raspam do pergaminho para que outras se possam ir escrevendo.

Sempre que regresso à Figueira da Foz da minha infância e juventude dou por mim à procura do passado num presente cada vez mais estranho - lojas que abrem e fecham, ruas que mudaram de sentido, árvores abatidas, praias que o mar levou. Os rostos também se vão alterando, ganhando rugas e perdendo cabelo, as maquilhagens confundindo as feições, os óculos disfarçando os olhares. Só as vozes e os sorrisos me apaziguam a memória, a geografia mudou, mas mantêm-se os caminhos.

Um dia, quando abandonar o bairro atrás de outra narrativa, vou sentir o mesmo quando aqui voltar, ao bairro, aos vizinhos e a estas crónicas. A mesma estranheza, a mesma busca, a desconfiança benévola de uma certa ideia do passado.

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Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).

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nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

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Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.