Premium Uma certa ideia do passado

Quase todos guardamos algumas ideias românticas sobre os lugares que habitámos, bairros, aldeias, cidades ou países. Recordamo-nos de amigos que deixámos de ver, namorados ou namoradas, noites de excesso, disparates vários, epifanias e alguns segredos guardados. Lembramo-nos de sermos nós sendo outros, mais ingénuos talvez, temerários, sem os medos, as feridas e as cautelas que entretanto acumulámos. As nossas vidas são palimpsestos, histórias que se raspam do pergaminho para que outras se possam ir escrevendo.

Sempre que regresso à Figueira da Foz da minha infância e juventude dou por mim à procura do passado num presente cada vez mais estranho - lojas que abrem e fecham, ruas que mudaram de sentido, árvores abatidas, praias que o mar levou. Os rostos também se vão alterando, ganhando rugas e perdendo cabelo, as maquilhagens confundindo as feições, os óculos disfarçando os olhares. Só as vozes e os sorrisos me apaziguam a memória, a geografia mudou, mas mantêm-se os caminhos.

Um dia, quando abandonar o bairro atrás de outra narrativa, vou sentir o mesmo quando aqui voltar, ao bairro, aos vizinhos e a estas crónicas. A mesma estranheza, a mesma busca, a desconfiança benévola de uma certa ideia do passado.

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Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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Diário de Notícias

A ditadura em Espanha

A manchete deste dia 19 de setembro de 1923 fazia-se de notícias do país vizinho: a ditadura em Espanha. "Primo de Rivera propõe-se governar três meses", noticiava o DN, acrescentando que, "findo esse prazo, verá se a opinião pública o anima a organizar ministério constitucional". Explicava este jornal então que "o partido conservador condena o movimento e protesta contra as acusações que lhe são feitas pelo ditador".