Situação grave em Cuba e as lições turísticas da Suécia

A primeira página deste dia, há quase 90 anos repartia os temas de destaque entre a seriedade da situação política cubana, o turismo na Suécia e a guerra ao analfabetismo

Era por Portugal que se abria esta edição de 12 de agosto de 1931. "Há alguns anos, as estradas estavam intransitáveis. Toda a gente dizia que jamais seria possível utilizá-las (...) o governo olhou porém o problema gravíssimo dos transportes e resolveu", escrevia o DN. E depois de elaborar com mais exemplos a teoria servia para concluir que os portugueses tinham "capacidade para resolver rápida e eficazmente os seus grandes problemas desde que tomem a peito solucioná-los". entre esses, destacava-se o analfabetismo: "Um país europeu com seis milhões de habitantes não pode continuar algemado à percentagem de analfabetos que registam as suas estatísticas (...) Um homem que não sabe ler está fora da sua época", concluía-se.

Maior destaque era, porém, dado aos temas internacionais mais relevantes, incluindo os acontecimentos em Cuba. "A situação é muito grave, mas o governo conta dominá-la", reproduzia o DN, citando o Times de NovaYorque para informar que os chefes rebeldes se haviam entregado na prisão de Havana, sendo a insurreição dirigida pessoalmente pelo antigo presidente Menocaí - que avançara contra o general Geraldo Machado. Noticiava este jornal que o movimento revolucionário falhara.

Ao lado, um tema de verão, com direito a fotografia: o turismo na Suécia como "lição a aproveitar". Dos "hotéis flutuantes às viagens pela Lapónia, passando pelo sol da meia-noite, um atraso do comboio, um baile e um chapéu perdido", a crónica assinada por Guerra Maio dava conta de um verdadeiro paraíso com o qual Portugal tinha muito a aprender.

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A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.