Fotografou Chaplin e Dalí. Pepe Diniz é o nosso ilustre desconhecido

Quem é este português e americano que fotografou grandes figuras do século XX e durante cerca de 30 anos viveu num loft nova-iorquino por onde tantos portugueses passaram? Por detrás de cada retrato, o discreto Pepe Diniz tem uma história (tantas vezes cómica). A dele começa em Marrocos, com um pai músico num cabaré e uma mãe que fugiu aos nazis.

Qualquer grande contador de histórias sabe que um dos truques está em apresentar certos pormenores. Assim, se um deles tivesse fotografado o Miles Davis perto do restaurante onde trabalhava, o mítico Raoul's, em Manhattan, seria preciso dizer o que fez quando lhe deram o código combinado para avançar (Milestones!), uma vez que ele tinha nas mãos dois pratos acabados de sair da cozinha: bife com batatas fritas numa, peixe grelhado com legumes na outra.

O contador de histórias diria então que pousou na mesa 6 os pratos que tinham como destino a mesa 12 - "Por favor, não mexam em nada. Volto já." -, tirou o avental, foi buscar a máquina fotográfica, que estava guardada por baixo de uma mesa, e saiu a correr. Fez três disparos. Apertou-lhe a mão. Miles agradeceu e entrou no seu Rolls-Royce, branco.

A história, e a fotografia, são de Pepe Diniz. Mas quem é Pepe Diniz? Esse português que quase nunca viveu em Portugal, e cuja mais curta pesquisa pelo nome nos devolve uma constelação de imagens suas de que fazem parte Charlie Chaplin, Salvador Dalí, Andy Warhol, Jorge Luis Borges ou Amália Rodrigues? Na legenda das fotografias, apenas o local e a data de nascimento: Marrocos, 1945. E como chegar ao fotógrafo há muito radicado nos Estados Unidos, e hoje ele mesmo americano também?

Os amigos portugueses não falavam com ele havia anos. Na Coleção Berardo e na Fundação Gulbenkian, que têm várias fotografias suas - como, de resto, a Biblioteca de Nova Iorque, o Metropolitan Museum of Art (Met) ou a Biblioteca Nacional de França -, haviam-lhe perdido o rasto. A carta enviada para uma morada antiga veio devolvida.

Depois, um amigo encontrou um endereço de e-mail, esperando "que ainda estivesse ativo". Estava. "Bom dia", respondeu-nos Pepe Diniz. Preferiu enviar por correio as respostas às perguntas que existissem. E assim foi. A carta veio dos arredores de Nova Iorque.

Antes chegou ainda um livro, A Loft in Tribeca, entregue por uma amiga do fotógrafo. Ali ele conta as memórias dos quase 30 anos em que viveu num loft nova-iorquino por onde passaram muitos portugueses, razão por que havia quem lhe chamasse o Hotel Lisboa.

Basta folheá-lo para encontrar rostos tão familiares como os de Maria de Medeiros e Joaquim de Almeida, Carlos Nogueira ou Vera Mantero, Maria Nobre Franco e Rui Valentim de Carvalho, e até o marechal Costa Gomes. Pepe Diniz fechara o livro, ainda sem distribuição, havia pouco tempo.

Um pai músico, uma mãe que fugiu aos nazis

Por agora Tânger, onde o fotógrafo haveria de nascer. "O meu pai, que era português de origem indiana, cantor e chefe de orquestra, chegou a Tânger penso que em 1941 e tinha um contrato para cantar no cabaré dum hotel de 1.ª classe." Mais tarde, o pai contar-lhe-ia que "as intrigas passadas no café do Rick no filme Casablanca eram brincadeiras" comparadas com as que presenciou. "Disse-me, por exemplo, que um dia um oficial alemão jurou matar um violinista da orquestra do meu pai por ele não ter gostado da maneira como o violinista olhou para a sua mulher. Para ganhar tempo, o meu pai rogou ao oficial que não o matasse antes do fim do contrato, pois ele era um elemento crucial do conjunto."

A mãe, de origem húngara, era jornalista num jornal romeno. "Veio com um grupo de amigos e amigas, todos a fugir dos nazis. Um dia ela disse-me: 'Uma tarde vi o papá pela primeira vez no meio dum grupo a falar com umas pessoas e disse para comigo - Meu Deus, este é o homem com quem me vou casar.'"

É desta história que vem Pepe, que acabaria por passar a sua juventude entre Moçambique e África do Sul, onde estudou, antes de partir para a Europa. O pai arranjara emprego na Rádio Clube de Moçambique e a família embarcaria para Maputo em 1951. "Moçambique sempre me ficou no coração", afirma.

O realizador Bruno de Almeida, último inquilino e companheiro de loft de Pepe Diniz, diz ao DN conhecer África sem nunca a ter pisado, por tanto o ter ouvido falar de Moçambique.

O nascimento de um fotógrafo

"Comecei a fazer imagens no dia em que, para o Natal de 1963, os meus pais me deram uma máquina fotográfica Agfa Silette I de filme 35 mm. Máquina que ainda hoje tenho e que ainda hoje funciona. Incrível. Comecei por fazer fotos de família, de amigos", conta. Mais tarde começou a filmar, mas depressa percebeu que era muito caro e que o obrigava a abrir mão do controlo sobre tudo o que faria, e isso não lhe agradava, de todo.

Nos seus retratos adivinha-se, aliás, o longo e solitário trabalho feito na câmara escura. "A câmara escura é a minha outra cozinha", escreveu no catálogo da exposição Faces, que nos anos 1990 esteve no Arquivo Fotográfico de Lisboa.

A escolha de vida que o levou à fotografia deve também muito ao facto de, em 1968, Pepe ter passado por uma livraria onde Shadows of. an. Island, de Bill Brandt, esperava por ele. "Comprei o livro e praticamente desde esse dia a minha carreira como fotógrafo ficou estabelecida. Gostei imenso da maneira como Bill Brandt fotografava as personalidades, em luz natural, sem ser em estúdio. Inspirou-me. Desde então comecei a interessar-me pelo retrato."

Estuda fotografia em Genebra e, em 1972, chega a Paris, onde se torna fotógrafo residente da Cinemateca Francesa, então dirigida por Henri Langlois, figura inesquecível para o cinema do século XX. "Era mal pago, mas podia ver clássicos do cinema de graça", recorda.

O "mas" de Pepe Diniz tem tanta força quanto tivermos presente a sua formação de cinéfilo feita no ecrã com Stroheim, Murnau, Fellini ou Orson Welles. Deste último tem a memória de ter visto o seu Touch. of. Evil num navio que ligava Maputo à Beira. "O filme foi projetado depois do jantar num ecrã gigante que se encontrava pendurado num dos mastros do navio. Se olhássemos para o ecrã não havia problema. Mas se olhássemos para a direita ou para a esquerda víamos o balanço do navio no mar alto. Todos enjoaram, incluindo eu. Mas o filme é bestial."

Os acontecimentos Chaplin e Dalí

Até que um dia Charlie Chaplin chegou à Cinemateca. Era o seu 84.º aniversário e Langlois organizou-lhe uma homenagem, com a projeção de Monsieur. Verdoux. "Mary Meerson, companheira do Langlois, disse-me claramente: 'Pepe, nem penses em fazer fotografias. Se te apanho com a máquina despeço-te na hora. O que eu quero é que protejas o Chaplin. Vais ser uma espécie de guarda-costas dele.' Guarda-costas?!", respondi. Um lingrinhas como eu, guarda-costas? Não podia acreditar. OK, mas debaixo do casaco trazia a minha Pentax equipada com um pequeno flash. Com mais seis outros companheiros da Cinemateca formámos um cordão à volta do Chaplin e assim evitámos os empurrões e as puxadelas dosfãs, dos histéricos, de todos aqueles que queriam tocar no Chaplin."

A meio do filme, Pepe Diniz e o guarda-costas acompanharam Chaplin à casa de banho. Quando regressaram à sala, o seu coração batia acelerado. "Nunca sonhei que um dia estaria sentado bem perto deste génio do cinema, este génio que tanto me fez rir e chorar de tanto rir." Em Maputo "dera pulos de alegria" antes de ver os seus filmes. Agora ele estava ali ao lado. "Monsieur. Verdoux parecia agora estar fora de foco. Na realidade eram os meus olhos que estavam humedecidos pela emoção."

Depois de o filme acabar, novo cordão humano para proteger Chaplin, que antes de entrar no carro e partir se demorou um pouco a falar com Langlois. "Eu encontrava-me do outro lado do veículo. De repente vejo o reflexo do Chaplin no capô do automóvel e vem-me à memória: "Meu Deus, a fotografia! Faz o raio da foto!" Abri o casaco, carreguei o flash (por sorte tinha pilhas novas) e, poucos segundos antes de o Chaplin entrar no carro, disparei... Click! E foi assim que fotografei o Charlie Chaplin."

"Foi assim." A expressão haverá de repetir-se. Pepe Diniz é certeiro como um caçador. A maioria dos seus retratos foi feita "assim": na rua, sem a luz de estúdio, e rapidamente, numa espécie de trânsito humano por ele brevemente interrompido para logo de seguida seguir o seu curso.

É o que acontecerá com Salvador Dalí, em 1975, ano seguinte ao da chegada de Pepe Diniz a Nova Iorque. Fora dispensado da Cinemateca Francesa por causa de problemas financeiros na instituição, e Langlois estabelecera-lhe uma ponte com outra cinemateca em Nova Iorque.

O fotógrafo já procurara o mestre surrealista várias vezes no Hotel St. Regis, em Manhattan. Naquele dia, encontrou-o no bar, a beber um aperitivo. "Aproximei-me dele e sabia que tinha de dizer algo que cativasse a sua atenção. Por isso disse: "Maestro, o meu nome é Pepe Diniz e venho entregar-lhe os melhores cumprimentos de Don Luis."

Don Luis era o realizador Luis Buñuel, que um dia confundiu Pepe com um motorista e lhe disse qualquer coisa que pareceu soar a "meilleures. salutations", depois do fotógrafo lhe perguntar por Dalí. E agora lá estava ele. "Pepe, sente-se. Quer beber algo? O que me diz são notícias formidáveis. Don Luis e eu não nos falamos desde a Guerra Civil de Espanha. Isto é incrível."

O resto da conversa permanece privado. Mas certo é que Dalí acedeu depois ao pedido de Pepe para o fotografar. A fotografia que conhecemos foi tirada já fora do hotel. "O Maestro pegou-me no braço e disse-me ao ouvido enquanto sentia o seu bigode roçar-me a cara: 'Não te atrevas a fazer um close-up da minha cara. Não quero realçar as minhas manchas da pele.' Pepe acedeu, mas aos poucos foi-se aproximando.

"Os olhos do Dalí estavam agora completamente abertos, surpreendidos pela minha audácia de me aproximar assim dele. Lá estava eu, face a face com o Dalí, como um conquistador que veio de lado nenhum", recorda o fotógrafo.

"É uma coisa muito antiga, de artesão"

"O Pepe dizia umas coisas muito simples, tipo "Chegue-se à frente", "olhe para mim", e resultava. Sempre. É uma coisa muito antiga, de artesão. Hoje não existe de todo. Não conheço quem faça isso. Ele apanha todos os momentos, é impressionante. É uma fotografia que tem uma qualidade expressiva bastante única." Bruno de Almeida conhece bem o trabalho de Pepe Diniz. Além de ter vivido com ele 15 anos, ao longo dos quais partilharam longas noites de póquer e de cinema, foi seu assistente.

Para explicar essa síntese entre poupar rolo e "um talento extraordinário", o realizador recorda um trabalho publicitário que fizeram, com o cliente presente. "Ele dizia-me: 'Dá-me aí a Pentax' e fazia não sei quantas fotografias sem rolo. 'Dá-me aí a Nikon', mais não sei quantas. Fingia que fazia umas 50 fotografias. 'Agora dá-me aí a Hasselblad.' Chegava lá, fazia três, e eram essas três, e eram magníficas. Não lhes faltava nada."

O primeiro filme que Bruno fez, Anti-Glamour (nome de uma exposição de Pepe Diniz), tinha o seu companheiro de casa a contar as suas histórias. "Não conheço ninguém como o Pepe. E tinha sempre, sempre, sempre histórias para contar. Todos os dias. Era um grande contador de histórias", diz o realizador, depois de passar o VHS onde está o filme. Está lá a história da fotografia do Dalí, e a de Andy Warhol, a quem Pepe pediu que fizesse um ar sério. "Me serious?" Terá perguntado Warhol. E ficou, de facto, sério.

Jorge Molder tem essa fotografia num dos corredores do sítio onde trabalha. Tal como a de Robert Frank, também tirada por Pepe Diniz, noutro corredor. "Os retratos são absolutamente fantásticos", lança o artista e amigo. Conheceu-o nos anos 1980, quando ficou surpreendido com uma exposição dele que viu. "Eu nunca tinha ouvido falar nele, e aparecia aquele homem com aquela quantidade toda de retratos, um bocado inesperado. Não sei como, conhecemo-nos e tornámo-nos amigos."

Nas paredes do Raoul's

"O Andy Warhol ia ao Raoul's [onde Pepe trabalhou durante anos]. Toda a gente ia ao Raoul's e o Pepe é um homem muito envolvente, é uma pessoa irresistível e, portanto, é muito natural que toda a gente correspondesse à solicitação dele de fazer um retrato. Ele contava histórias absolutamente incríveis", recorda Molder.

A fotografia de Miles Davis ainda está numa parede do restaurante. Como a que Pepe Diniz tirou a Julie Christie, e outra que tirou a um antigo empregado da casa, Rob Jones, informa-nos o gerente do Raoul's, Karim Raoul, filho do fundador e gerente na altura de Pepe.

"Era uma grande personagem para se ter no restaurante", recorda o atual rosto daquele lugar frequentado pelos Rolling Stones, por Woody Allen (que Pepe também fotografou) ou por Robert de Niro. Trata-se de um bistrô francês aberto em 1975 e cujos "clientes no começo eram sobretudo artistas, tal como os empregados". Pepe Diniz conseguiu trabalho temporário para vários portugueses como busboys (aqueles que levantam as mesas). Enquanto lá trabalhou, vendia também algumas fotografias aos clientes do Raoul's.

O loft onde até Costa Gomes jantou

Mas voltemos atrás, ao momento em que ele entra naquele loft onde acabaria por viver durante quase 30 anos. Foi em 1975 que o fotógrafo ouviu dois sujeitos falarem entre si no Bleecker Street Cinema, enquanto via Big Deal. on Madonna Street, com Toto e Mastroianni. Perguntou-lhes se eram checoslovacos. Responderam que não, que eram portugueses.

Tratava-se do artista Martim Avillez e do tradutor José Luis Luna. Aquele também era o filme cómico preferido deles, afinidade mais que improvável. Como o facto de eles estarem à procura de um terceiro inquilino para o seu loft em Tribeca, hoje uma das zonas mais caras da cidade e então uma zona nada nobre, residência de muitos artistas. Pepe Diniz conta a história no prefácio do seu livro A Loft in Tribeca.

Eram 300 metros quadrados onde se fazia corridas de bicicleta, onde se pintava, escrevia, filmava, cozinhava, jantava, jogava póquer, em suma, onde se vivia. Intensamente, nalguns casos.

"Lembro-me daquelas esporádicas mas simpáticas, gastronómicas, fatídicas quartas-feiras. Simpáticas porque eram reuniões de amigos. Falava-se português, bebia-se boa vinhaça e a fumarada tinha aroma lusitano", escreve Pepe Diniz, que parece português na fidelidade que demonstra, por exemplo, ao caldo-verde, mas ao mesmo tempo tem em relação a essa sopa uma distância estranha a quem com ela convive habitualmente, e que dificilmente lhe chamaria, como ele, "poção mágica dos portugueses, sopa calorosa e humanizante que sacia o estômago e aquece as almas, na sua simplicidade de uma obra-prima da culinária lusitana".

Até o general Costa Gomes apareceu para jantar num daqueles dias. Estava de passagem pela cidade e queria conhecer alguns portugueses. "Alguns diplomatas das Nações Unidas acompanharam o general e nós também convidámos uns amigos. O jantar foi caldeirada, preparada pelo pintor Martim Avillez e por mim e acertada pela dona Luciana, senhora portuguesa-americana, que foi subchefe de cozinha no restaurante onde eu trabalhava. Falámos um pouco de tudo: da vida artística de Manhattan, da independência das colónias, dos problemas que atravessavam Portugal na altura e até mesmo de futebol. No fim o general disse-nos, um tanto emocionado, que gostou muito da nossa companhia."

"Felizmente, não sou nostálgico", diz o pintor Jorge Martins, enquanto passa as páginas de A Loft in Tribeca. Ele que viveu naquele mesmo loft e que continuou a ser visita depois de Pepe se mudar para lá. No seu ateliê, enquanto desenha uma planta improvisada do loft, recorda: "Era um tipo muito simpático, medianamente comunicativo, nem sorumbático nem espalha-brasas. Era doido por comboios elétricos. Aliás, quando ele se instalou no loft a parte dele estava praticamente toda ocupada por uma linha de comboios elétricos."

Nas várias descrições, Pepe Diniz aparece-nos quase sempre a fumar cachimbo, variando entre o cómico e o calado, entre a preguiça (que o próprio admite) e o talento para esta espécie de caça posta em prática.

"As minhas primeiras fotografias foram com o Pepe", conta o ator Joaquim de Almeida, que vivia a dois quarteirões do loft. "É um grande fotógrafo, conseguia ver a alma das pessoas. Parecia que elas estavam a pensar."

"Simplesmente desapareceu"

Joaquim faz parte dessa grande galeria onde estão, parados no tempo, Tennessee Williams, Jorge Luis Borges, Ionesco, Nicholas Ray, Lillian Gish, Henri Langlois, Manoel de Oliveira, John Cage ou Amália.

Pepe Diniz também retratou cidades, de outra forma, mais demorada: Lisboa, fotografada no livro que assina com David Mourão-Ferreira; Nova Iorque, durante anos, cidade onde Pepe conheceu a sua mulher Frances "num metropolitano superlotado", justificando, lembra, o dito only in New York; ou Maputo, cidade que além de o ver crescer voltou a recebê-lo em 1994, quando foi, pelas Nações Unidas, o coordenador da comunicação social no gabinete de imprensa da Comissão Nacional de Eleições. Eram as primeiras eleições multipartidárias, depois do Acordo de Paz.

Foi aquele gabinete de imprensa o primeiro a entrevistar o então candidato Afonso Dhlakama, o histórico líder da Renamo que morreu neste ano, recorda Pepe, ainda hoje impressionado com "a dedicação e o espírito de sacrifício dos jovens moçambicanos envolvidos em todos estes processos eleitorais [acompanhou outros, até 2000], com especial referência para aqueles que trabalharam nos postos de recenseamento e votação localizados nas áreas mais afastadas do país".

No final da conversa com Jorge Molder sobre o amigo, ele remata: "Simplesmente desapareceu. Estou convencido de que hoje ninguém sabe quem é o Pepe Diniz."

Hoje, a viver nos arredores de Nova Iorque, Pepe Diniz continua ocupado com os seus comboios elétricos e continua a ter "sempre a máquina fotográfica à mão". Já tem mais dois livros quase prontos, um sobre Maputo e o outro sobre fotografia. Adora passear num parque perto do rio Hudson com a mulher.

Pedimos-lhe outra fotografia sua, autorretrato ou não. Responde que a sua favorita foi feita por um fotógrafo de rua em Maputo, com uma máquina fabricada pelo próprio, mas vai precisar dessa fotografia. E despede-se: "Melhores cumprimentos, Pepe Diniz."

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