Premium Corrupção: a causa que une (e separa) as juventudes na política

As juventudes partidárias de direita desafiam-se na apresentação de pacotes anticorrupção mais radicais. Mas as de esquerda são mais cautelosas e dizem que o atual sistema já comporta as medidas certas.

Não há dados oficiais para compreender a abstenção dos jovens. No entanto, a OCDE tem um estudo ("Youth Stocktaking Report") que permite ter uma ideia da ligação da juventude à política. Em Portugal, a confiança no governo dos jovens entre os 15 e os 29 anos situa-se em aproximadamente 45%. Números diferentes dos que se verificam na Suíça, onde aproximadamente 85% dos jovens confiam no governo, ou no Luxemburgo, onde cerca de 79% mantêm o voto de confiança.

Portugal, aliás, aparece em primeiro noutra variável preocupante: o desinteresse pela política. Somos quase ultrapassados pelo Chile, mas mesmo assim o primeiro lugar é português, com 40%. Ao invés, a Dinamarca, a Alemanha e o Japão nem chegam aos 10%. As juventudes partidárias acreditam que isto se deve, em grande parte, ao descrédito dos políticos e que este é, em grande parte, causado pela quantidade e pela mediatização dos casos de corrupção. E decidiram agir.

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No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

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A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.