Premium Contra a fome e o frio na Europa

O DN de 11 de setembro de 1947 dava conta da preocupação dos Estados Unidos em ajudar uma Europa Ocidental que tardava a recuperar da Segunda Guerra Mundial, terminada dois anos antes.

A situação era tão grave que o departamento de Estado americano dizia estudar "urgentemente uma forma de auxílio de emergência para enfrentar a ameaça imediata da fome e do frio na Europa". Citando em Washington o secretário de Estado George Marshall, figura destacada da Administração presidida por Harry Truman, o DN dava conta das medidas prestes a adotar pelos Estados Unidos para apoiarem a recuperação económica dos aliados europeus, como a Grã-Bretanha e a França, mas também da Alemanha Ocidental, que depois da derrota nazi tinha entrado na esfera de influência americana.

O plano de ajuda, que ficou conhecido como Plano Marshall, começou por apoio financeiro que permitiu aos europeus comprar de início sementes, fertilizantes e rações e numa segunda fase maquinaria. Não só a economia europeia beneficiou, como também a americana, que servia de fornecedora. Por ordem de Estaline, a União Soviética e os países do novo bloco comunista recusaram a iniciativa americana. Portugal recebeu algum apoio, mas menos de metade, por exemplo, da Grécia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.