Premium Uma emocionante volta a Portugal a cavalo

Uma volta a Portugal com a primeira etapa a partir de Lisboa e a chegar a Setúbal, a cavalo, "orgulhosamente" organizada pelo Diário de Notícias, fazia grande destaque desta edição.

"O circuito hípico de Portugal, um dos maiores raids até hoje realizados em todo o mundo e no qual os cavaleiros portugueses vão demonstrar as suas grandes qualidades e valor, foi ontem iniciado com o maior brilhantismo e entusiasmo", escrevia neste dia o DN, dando conta de um evento por si organizado.

Um empreendimento que deixava o DN orgulhoso, "em que os nossos cavaleiros, já categorizados como os melhores do mundo, vão afirmar mas uma vez as suas excecionais qualidades, realizando um percurso difícil de 2 mil quilómetros através das mais diversas regiões, desde as planícies alentejanas às pitorescas e bravias serranias de Trás os Montes, do Minho surpreendente o Algarve agreste e portentoso".

A corrida seguiria durante 18 dias, debaixo de chuva como de sol, com todas as aventuras relatadas pelo jornal que apoiava o grande acontecimento, que foi ganhando o entusiasmo do povo pela rivalidade que se criou entre o capitão Rogério Tavares e o civil José Tanganho. O militar chegaria primeiro ao Jockey Club, mas trocara de cavalo no percurso, pelo que foi o civil reconhecido como vencedor, para enorme gáudio dos que assistiam à disputa.

Em delírio, o povo invadiu a pista do Jockey Club e carregou Tanganho em ombros até à Câmara, onde viria a receber o seu troféu.

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Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.