iMaginação

Não devia ter mais de 5 ou 6 anos, vi-o da janela das traseiras, que dá para um logradouro partilhado por muitos prédios. O miúdo estava sentado no chão e brincava com um bonequinho enquanto a avó estendia a roupa e passava a ferro. Fui espreitando de tempos a tempos e vi o boneco a voar, a contar histórias e até a olhar para mim, como se perguntasse a quem pergunta.

Não sei que enredos passaram pela cabeça do garoto, provavelmente aventuras com super-heróis ou lutas épicas contra monstros, ouvi-o fazer vozes diferentes, ora graves ora agudas, assisti aos gestos e aos espantos. Quantas personagens para um único boneco? Quantas ideias na cabeça daquela criança? Não o vi mexer em iPhones ou iPads, talvez não os tenha ou a avó os esconda, talvez o menino vá buscar à nuvem da infância todos os jogos de que precisa.

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A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

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