Aconteceu em 1924 - O susto dos lisboetas pouco dados à ciência

"De nariz no ar, Lisboa tomou Vénus por Marte", titulava em tom de escárnio o Diário de Notícias neste dia 24 de agosto de 1924.

"A astronomia foi ontem assunto do lisboeta", escrevia o DN, contando como a passagem de Marte, fenómeno visível de 15 em 15 anos e que se dera na madrugada anterior, parecera deixar coloridos de vermelho "uns farrapos de nuvens", levando os lisboetas a pensar que aí vinha uma desgraça ao vislumbrarem, já pela manhã, um ponto de luz entre essas nuvens.

"A estrela em questão era a nossa favorita Vénus, que andou ontem entre o Sol e a Lua numa inconstância de mulher formosa namoriscando os dois. O lisboeta, com pouca ciência mas muita curiosidade, tomou a nuvem por Juno... A cândida Vénus, apesar de branquinha e formosa, passou ontem aos olhos de todos pelo inferno, maléfico, ardente e sanguinolento Marte, tão caluniado pelos mortais", escrevia o jornalista do DN

O evento astronómico fora tomado como coisa nova e perigosa: o "infernal" Marte a aproximar-se da Terra. E em pouco tempo quase estalava o pânico na população empoleirada em telhados e varandas, de olhos no céu e discutindo abertamente sobre os perigos que viriam daquele pontinho vermelho que se via no alto.

"Os gatunos, que nunca se esquecem dos seus deveres, aproveitaram a ocasião em que todos os lisboetas estavam com os olhos no céu para porem os seus nas algibeiras e nas carteiras do próximo. Foi uma razia", descrevia o DN com humor na peça dedicada ao tema.

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