Premium Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Tal como Bill Clinton (1994), George W. Bush (2006) e Barack Obama (2010), também Trump perdeu a Câmara dos Representantes nas primeiras intercalares que enfrentou. Para alguém que adora projetar-se como uma das grandes singularidades que a América alguma vez produziu, ter de entrar no rol das tradições políticas do sistema não deve ter sido fácil. Ganhar de supetão enche-lhe o peito, mas ser mais um na história das intercalares expõe-lhe os maus fígados.

A primeira vítima do destempero presidencial foi o jornalista Jim Acosta, a besta negra da Casa Branca nestes dois anos de relação com a imprensa. Claro que para a base eleitoral de Trump o ataque ao repórter da CNN é um dever moral do presidente. Mas o ângulo mais relevante não é este, mas sim até onde a Casa Branca está disposta a ir para desacreditar um jornalista por si credenciado. Montagem de imagens para o denegrir, interdição de acesso, agressividade verbal do presidente e revanchismo pós-eleitoral imediato, foram os sinais emitidos por Trump na ressaca eleitoral. Já sabíamos que o seu temperamento não o recomendava para o cargo, agora percebemos que piora quando os resultados não lhe correm bem. Isto significa que a linha dura contra alguns mediaselecionados vai continuar ou mesmo piorar, inspirando outros, de Brasília a Budapeste, com evidentes ganas de atropelar a liberdade de imprensa como prioridade política.

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