Premium 'Na Sombra da Lei': o filme que ressuscita Mel Gibson

É o melhor papel de Mel Gibson em muito tempo, e bem acompanhado por Vince Vaughn. Na Sombra da Lei é um thriller que joga com a perceção viciada do espectador para este género cinematográfico, ao mesmo tempo que o homenageia.

Naquilo que parece ser um momento franco de prazer degustativo, Vince Vaughn mastiga uma sandes ao lado de um silencioso e carrancudo Mel Gibson, visivelmente incomodado com o barulho. Estão ambos dentro de um carro, polícias sem distintivo, a vigiar uma logística criminosa. Quando o primeiro termina a iguaria, Gibson diz com secura: "Ámen. Tenho estado a ouvir e a cheirar isso nos últimos 98 minutos..."

A hipérbole tem graça e, embora não seja para se levar à letra, não está longe do que o realizador deste Na Sombra da Lei, S. Craig Zahler, nos quer também fazer sentir: ligeiramente incomodados. E não serve apenas para esta situação caricata, que tem o tempo real de dois (longos) minutos. Na verdade, quase todo o filme assenta nessa paciência para tornar concretos os detalhes da convivência comum.

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Leonídio Paulo Ferreira

Nuclear: quem tem, quem deixou de ter e quem quer

Guerrilha comunista na Grécia, bloqueio soviético de Berlim Ocidental ou Guerra da Coreia são alguns dos acontecimentos possíveis para datar o início da Guerra Fria, que alguns até fazem remontar à partilha da Europa em esferas de influência por Churchill e Estaline ainda o nazismo não tinha sido derrotado. Mas talvez 29 de agosto de 1949, faz agora 70 anos, seja a melhor opção, afinal nesse dia a União Soviética fez explodir a sua primeira bomba atómica e o monopólio da arma pelos Estados Unidos desapareceu. Sim, foi o teste em Semipalatinsk que estabeleceu o tal equilíbrio do terror, primeiro atómico e depois nuclear, que obrigou as duas superpotências a desistirem de uma Guerra Quente.