Premium Bancos aceleraram no crédito para comprar casa antes dos travões do Banco de Portugal

Maio foi um dos meses em que os bancos mais abriram a torneira. Juros dos novos empréstimos são cada vez mais baixos.

Os bancos reforçaram a concessão de empréstimos para a compra de casa antes da entrada em vigor das recomendações do Banco de Portugal para o crédito. Os limites, anunciados pelo supervisor em fevereiro, começaram a ser aplicados este mês de julho. E os dados mais recentes da instituição liderada por Carlos Costa mostram que os bancos aproveitaram os últimos meses para abrir a torneira do crédito, cobrando os juros mais baixos de sempre.

Os dados divulgados nesta terça-feira mostram que só em maio, data dos números mais recente, o novo crédito à habitação aumentou 815 milhões de euros. Foi o terceiro mês com um maior volume de empréstimos desde 2010. O mais ativo tinha sido março, pouco tempo depois de o supervisor liderado por Carlos Costa ter anunciado os limites na concessão de crédito.

25 milhões por dia com juros mínimos

Só nos primeiros cinco meses do ano, os bancos emprestaram 3784 milhões para compra de casa. É uma média de 755 milhões por mês e de 25 milhões por dia. Foram mais 700 milhões do que no mesmo período de 2017 e é o ritmo mais alto desde 2010. A subida do crédito ocorre numa altura em que os bancos estão a cobrar cada vez menos pelos empréstimos.

O Banco de Portugal informou que "nas novas operações de crédito a particulares para habitação, a taxa de juro média diminuiu cinco pontos base, para 1,41%, correspondendo a um novo mínimo da série". Além dos níveis negativos da Euribor, a descida dos juros reflete uma descida dos spreads cobrados. Há 12 meses, os créditos estavam a ser concedidos com uma taxa de 1,68%. Chegaram a estar acima de 4,5% no início de 2012.

O supervisor tem notado uma maior disputa entre os bancos para captarem clientes para crédito. Reiterou, no último Relatório de Estabilidade Financeira, que "a recuperação da economia e do mercado imobiliário, conjugada com taxas de juro de curto prazo ainda muito baixas, cria incentivos para uma maior concorrência entre os bancos e para uma menor restritividade dos critérios de concessão de crédito".

Para prevenir excessos, o Banco de Portugal recomendou limites ao valor do financiamento em relação ao valor do imóvel, ao peso que as prestações do crédito devem ter no rendimento das famílias e que se evite conceder crédito com prazos acima de 40 anos.

Preços das casas sobem o dobro face a Espanha

O aumento do crédito acontece numa altura em que os preços das casas estão imparáveis. Portugal foi o quarto país da Europa em que o aumento foi maior, segundo dados divulgados pelo Eurostat, o gabinete europeu de estatísticas.

Nos 12 meses terminados em março, o valor das casas em Portugal aumentou mais de 12%. Apenas Letónia, Eslovénia e Irlanda tiveram taxas de crescimento dos preços mais altas. Face a Espanha, o ritmo da subida do valor da habitação em Portugal foi o dobro. No país vizinho as casas valorizaram 6,20%. A média na Europa foi de 4,5%.

O Banco de Portugal alertou recentemente que "começaram a surgir alguns sinais, embora muito limitados, de sobrevalorização dos preços". E explicou que a valorização das casas "tem sido determinada pela melhoria do rendimento das famílias, pelo baixo nível das taxas de juro e pelo menor grau de restritividade dos critérios de concessão de crédito à habitação". Além disso destacou a maior dinâmica do alojamento local como outro dos fatores a impulsionar os preços das casas.

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