Premium África: Menos paternalismo, mais realismo

"A Europa deve olhar África sem paternalismo", disse ontem Durão Barroso no EurAfrican Forum, que decorreu no Estoril. Numa tentativa de aproximar a África e a Europa, o ex-presidente da Comissão Europeia - por sinal uma figura muita respeitada em Angola e na África em geral, pelo menos desde os Acordos de Bicesse (promovidos por Barroso enquanto secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação, em 1990) - quis deixar no ar as palavras que espelham a sua experiência na relação com os países do sul, que tanta vezes apelidamos de "irmãos".

Duas dezenas de líderes europeus e africanos de várias áreas, desde o mundo empresarial ao político, fizeram questão de participar e fazer-se ouvir neste fórum, mostrando a relevância que tem esta relação umbilical entre o continente europeu e o africano.

O primeiro EurAfrican Forum teve, a meu ver, o mérito de relançar a discussão, após alguns anos de arrefecimento nas relações - sobretudo desde a descida do preço do barril de petróleo - acerca dos objetivos, que devem ser comuns a todos os europeus e africanos: criar relações de maior confiança, assentes na boa governação, e construir pontes entre os dois continentes que promovam uma vivência win-win (ganhar-ganhar).

Menos paternalismo e mais realismo precisa-se! Falar de futuro, de prosperidade e desenvolvimento e de sustentabilidade só será possível se a África e a Europa se sentarem à mesma mesa, a discutir os temas estratégicos individuais e coletivos, sem complexos do passado e com os olhos postos nas gerações vindouras.

Está na hora, de uma vez por todas, de aproveitar as sinergias e promover as oportunidades de negócio. O Conselho da Diáspora Portuguesa já deu o seu contributo, organizando esta iniciativa. Agora é hora de os governos atuarem e de os empresários darem mais apertos de mão e firmarem novas parcerias e contratos para que todos, em cada uma das suas geografias, possam ver e viver em sociedades mais desenvolvidas e com rendimentos per capita mais dignos.

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Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.