Premium Gigantes Facebook e Volkswagen são os novos alvos da Deco

A Deco faz amanhã 45 anos, nasceu dois meses e meio antes do 25 de Abril. Liberdade numa sociedade de consumo cada vez mais sofisticada. Tem de responder com profissionalismo, sobretudo para lutar contra gigantes como o Facebook e a Volkswagen, os próximos alvos.

A Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores nasceu na ditadura e num país em que faltava tudo para defender os direitos do consumidor. Hoje, Portugal é pioneiro e uma das lutas da associação é conseguir que a legislação comunitária não elimine direitos adquiridos pelos portugueses. São 45 anos de batalhas que resultaram em muitas vitórias, muitas das quais já não nos recordamos.

O Facebook e a Volkswagen levaram processos da DECO, o primeiro por não proteger os dados pessoais dos utilizadores; a segunda por mentir no que diz respeito às emissões produzidas pelos seus veículos. A associação processou-os com a mesma garantia de que os consumidores estão a ser lesados. Certezas que levaram a ganhar processos contra a Apple e a Telecom. Também a conseguir a devolução das cauções dos serviços públicos essenciais, acabar com a imposição de prazos de fidelização nas telecomunicações e a impedir a cobrança de taxas nos pagamentos com multibanco.

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Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

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Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

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Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.