Aconteceu em 1919 - 1919. Os monárquicos obrigados a recuar e o padre preso

No dia 11 de fevereiro de 1919, o enviado especial do DN a São Pedro do Sul relatava as lutas entre monárquicos e republicanos. Até o padre acabou preso.

No dia 11 de fevereiro de 1919 a primeira página do Diário de Notícias era praticamente toda dedicada às lutas entre monárquicos e republicanos que se desenrolavam no norte do país, nomeadamente na região da Beira Alta. O enviado especial a São Pedro do Sul relatava a saída das tropas republicanas a caminho de Castro Daire, ponto de encontro de muitos outros soldados dispostos a combater a insurreição militar denominada "Monarquia do Norte" liderada por Paiva Couceiro e que tinha proclamado a restauração da monarquia na cidade do Porto.

Escrevia o repórter do DN a partir de São Pedro do Sul: "A partida fez-se no meio do mais caloroso entusiasmo, em constantes vivas à Pátria, à República, ao exército e à marinha levantados pelo povo republicano de São Pedro do Sul. Durante o percurso de 23 quilómetros, que tantos vão desta localidade a Castro Daire, onde as tropas se destinavam."

O jornalista do DN tentou seguir viagem para Castro Daire, "mas não havia hoje qualquer meio de transporte". Mas um repórter é um repórter e este fez-se à vida: "Por oficiais que dali vieram a esta localidade, em missão de serviço e mesmo por alguns elementos civis, igualmente dali procedentes, soube coisas interessantes."

"As tropas que ali se haviam concentrado, logo nas primeiras horas da manhã, estabeleceram os seus postos e tudo estava pronto para entrar em fogo. (...) Pois as forças fiéis ao governo conduziriam as operações por tal modo, que, ao romper da manhã, a guarda avançada, composta por uma força da cavalaria, seguia com a maior ordem e moral para o ponto onde os monárquicos se haviam entrincheirado. Nem um cavaleiro se apeou nem um tiro foi disparado."

A verdade é que não encontraram um "único soldado realista", o que levou a crer que as forças às ordens da junta governativa debandaram à aproximação das fiéis".

Entretanto, em São Pedro do Sul, tomou posse a nova comissão municipal. "Têm fugido daqui algumas pessoas que eram tidas como desafetas ao regime republicano. Ainda se fizeram algumas prisões, entre as quais a do vigário da freguesia, abade de Villa Maior e do Sr. António Henriques."

Dois dias depois, a 13 de fevereiro de 1919, um contingente da Guarda Nacional Republicana do Porto, com o apoio de milícias civis organizadas pelo Partido Democrático, obteve a rendição da junta governativa revoltosa que então existia na cidade. Chegava deste modo ao fim a chamada "Monarquia do Norte".

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.