Quem são os homens que ter-se-ão envolvido com as escravas sexuais de Epstein?

O milionário foi encontrado morto na manhã deste sábado na sua cela e o FBI investiga o "aparente suicídio". Na véspera, justiça libertou duas mil páginas de documentos que estavam selados com as acusações de uma das suas alegadas "escravas sexuais".

O magnata norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de tráfico e abuso sexual de menores na Florida e em Nova Iorque, foi encontrado morto na manhã de sábado na sua cela num estabelecimento correcional em Manhattan. O FBI está a investigar a sua morte como "aparente suicídio", mas o facto de Epstein estar morto não deverá fazer desaparecer o escândalo.

Uma das alegadas vítimas do milionário alegou ter sido obrigada a manter relações sexuais com uma dúzia de homens, entre os quais vários políticos de relevo e até príncipes. Os pormenores de como Epstein atraía as menores e os nomes dos envolvidos foram divulgados na sexta-feira, em mais de duas mil páginas de documentos que tinham sido selados pelo tribunal.

Que documentos vieram a público?

Os documentos divulgados na sexta-feira prendem-se com um processo por difamação que foi intentado por uma das alegadas vítimas de Epstein, Virginia Giuffre, contra a ex-namorada do magnata, a britânica Ghislaine Maxwell (filha do falecido magnata dos media Robert Maxwell). O processo remonta a 2016 e em 2017 chegou-se a um acordo.

Entre os documentos cujo conteúdo Maxwell tentou evitar que viessem a público está, por exemplo, o depoimento de Giuffre de maio de 2016 ou o de Epstein, que recusou então responder às perguntas, para evitar incriminar-se. Há ainda os registos médicos da alegada vítima, de 2001, durante uma passagem pelo hospital. Queixava-se então de sangramento vaginal irregular, tinha desmaiado dois dias antes de ir ao hospital e batido com a cabeça e perdeu três quilos num mês.

A alegada vítima alega que foi recrutada por Maxwell para ser massagista de Epstein, quando tinha apenas 15 anos. Na altura trabalhava no clube Mar-a-Lago, de Donald Trump, na Florida. No testemunho, sobre o atual presidente, Giuffre diz que "nunca teve sexo connosco... e nunca flertou comigo".

Já outra alegada vítima, Johanna Sjoberg, conta que Maxwell foi ter com ela à universidade com a promessa de um emprego como assistente de Epstein, mas que um dia depois já estava a ser pressionada para ter sexo com ele. Alega que Epstein lhe disse que "precisava de ter três orgasmos por dia. Era biológico, como comer".

Nos documentos encontrados há ainda recibos de livros que comprou na Amazon sobre sadomasoquismo e escravos sexuais. E três testemunhas dizem que, quando não estava a arranjar jovens para Epstein, Maxwell estava ela própria a abusar delas.

Quem são os homens nomeados?

Giuffre alega, nos depoimentos, que Maxwell lhe deu ordens para que tivesse relações sexuais com o ex-governador do Novo México, Bill Richardson, com o ex-senador George Mitchell, que foi líder da maioria democrata, com o agente de modelos Jean Luc Brunel, com o investidor Glenn Dubin, com o entretanto falecido cientista Marvin Minsky, que criou o gabinete de inteligência artificial do MIT, e com o advogado Alan Dershowitz. Também alega que foi obrigada a fazer sexo com "um príncipe", um "presidente estrangeiro" e com o dono de "uma cadeia de hotéis francesa".

A própria Giuffre já havia alegado que tinha sido forçada a ter sexo com o príncipe André, filho da rainha Isabel II, mas em 2015 o Palácio de Buckingham rejeitou a acusação, dizendo que "qualquer sugestão de impropriedade com menores" era "categoricamente falsa". O nome do duque de Iorque surge nos documentos, mas no depoimento de outra alegada vítima, Johanna Sjoberg. Diz que em 2001, o filho da rainha Isabel II lhe tocou nos seios quando estavam sentados num sofá no apartamento de Epstein em Manhattan.

Os dois políticos norte-americanos também rejeitaram as acusações. "Para ser claro, o governador Richardson teve interações limitadas com Epstein e nunca o viu na presença de menores ou jovens raparigas", disse uma porta-voz do ex-governador. "Nunca conheci, falei ou tive qualquer contacto com Giuffre", indicou Mitchel.

O nome de Dershowitz, um advogado e amigo de Epstein, já tinha surgido noutras ocasiões. Giuffre alega que manteve relações sexuais com ele em várias casas de Epstein e que lhe fez sexo oral numa limusina, com Epstein e outra jovem a ver. Dershowitz diz que os documentos provam que é mentira. Tudo porque o nome dele surge num e-mail que a alegada vítima recebeu de uma jornalista do Mail on Sunday, Sharon Churcher, quando discutiam um livro que Giuffre estaria a escrever sobre a sua experiência. "Não te esqueças do Alan Dershowitz, [Jeffrey Epstein] parceiro e advogado do JE", escreveu a jornalista. "Todos suspeitamos que o Alan é um pedófilo e, apesar de não haver prova disso, provavelmente conheceste-o quando ele andava com o JE."

Em relação a Glenn Dubin, Giuffre alega que foi o primeiro homem poderoso com quem Epstein e Maxwell quiseram que tivesse sexo, em 2001. Epstein investiu milhões no fundo de investimento Highbridge Capital de Dubin e ajudou a negociar a compra da empresa pela JP Morgan.

O nome do ex-presidente Bill Clinton também já foi associado a Epstein, com registos de voo a mostrar que usou o avião privado do milionário, conhecido como o Lolita Express . O ex-presidente dos EUA negou uma ligação próxima a Epstein, dizendo que a ligação entre ambos estava ligada ao apoio humanitário a países em vias de desenvolvimento.

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