Aconteceu em 1981. O "ligeiro acidente" de Soares que lhe levou o pedaço de um dedo - O "ligeiro acidente" de Soares que lhe levou o pedaço de um dedo

A primeira página do DN deste dia em 1981.

"Soares sofreu ligeiro acidente", noticiava o DN numa coluna lateral da primeira página da edição de 11 de abril de 1981. No entanto, uma leitura da pequena notícia revelava ter-se tratado de algo um pouco mais grave do que o título dava a entender.

"O Dr. Mário Soares sofreu ontem a amputação da cabeça do dedo anelar da mão direita em consequência de um pequeno acidente que sofreu em Cascais."

O jornal prosseguia: "O acidente verificou-se quando na noite de anteontem o secretário-geral do PS ficou com a mão entalada na porta do automóvel para onde acabava de entrar. A porta terá sido fechada por uma pessoa que acompanhava Soares, a qual não se apercebeu de que este ainda não se encontrava devidamente instalado."

"Mário Soares deu entrada no hospital de Cascais na madrugada de ontem para uma pequena intervenção cirúrgica de que resultou a amputação da cabeça do dedo. O líder socialista recolheu depois a casa."

Decididamente, a arte do understatement estava de boa saúde neste jornalismo dos anos 1980.

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O medo do populismo é tão grande que, hoje em dia, qualquer frase, ato ou omissão rapidamente são associados a este bicho-papão. E é, de facto, um bicho-papão, mas nem tudo ou todos aqueles a quem chamamos de populistas o são de facto. Pelo menos, na verdadeira aceção da palavra. Na semana em que celebramos 45 anos de democracia em Portugal, talvez seja importante separarmos o trigo do joio. E percebermos que há políticos com quem podemos concordar mais ou menos e outros que não passam de reles cópias dos principais populistas mundiais, que, num fenómeno de mimetismo - e de muito oportunismo -, procuram ocupar um espaço que acreditam estar vago entre o eleitorado português.