D. Duarte renuncia em favor do filho

Numa edição em que também fazia capa o Congresso Transmontano - evento presidido pelo arcebispo de Braga do qual os enviados especiais do DN relatavam todos os detalhes de uma negociação acesa sobre "os interesses da região do Douro, especialmente a questão vinícola" -, o espaço central era ocupado com um assunto de Estado.

Dez anos depois de o país trocar a Monarquia pela República, anunciava-se que D. Miguel de Bragança renunciara "os seus direitos à coroa de Portugal em seu filho, D. Duarte Nuno de Bragança", tendo sido escolhida "para tutora do novo pretendente a infanta Dona Aldegundes, Duquesa de Guimarães". Dias antes, recordava o DN, também o primogénito de D. Miguel, com o mesmo nome, renunciara.

O pai de D. Duarte Pio de Bragança (atual pretendente ao trono, caso Portugal fosse um regime monárquico) tornava-se assim o legítimo sucessor. "Sétimo filjo do segundo matrimónio de D. Miguel com D. Maria Tereza de Loewstein, nascido em 23 de setembro de 1907 na Baixa Áustria, educado por sua mãe e pela sr.ª D. Maria das Dores Prego Castelo, além de das línguas estrangeiras aprendeu o português", relatava o Diário de Notícias neste dia 10 de setembro de 1920.

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Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.