D. Duarte renuncia em favor do filho

Numa edição em que também fazia capa o Congresso Transmontano - evento presidido pelo arcebispo de Braga do qual os enviados especiais do DN relatavam todos os detalhes de uma negociação acesa sobre "os interesses da região do Douro, especialmente a questão vinícola" -, o espaço central era ocupado com um assunto de Estado.

Dez anos depois de o país trocar a Monarquia pela República, anunciava-se que D. Miguel de Bragança renunciara "os seus direitos à coroa de Portugal em seu filho, D. Duarte Nuno de Bragança", tendo sido escolhida "para tutora do novo pretendente a infanta Dona Aldegundes, Duquesa de Guimarães". Dias antes, recordava o DN, também o primogénito de D. Miguel, com o mesmo nome, renunciara.

O pai de D. Duarte Pio de Bragança (atual pretendente ao trono, caso Portugal fosse um regime monárquico) tornava-se assim o legítimo sucessor. "Sétimo filjo do segundo matrimónio de D. Miguel com D. Maria Tereza de Loewstein, nascido em 23 de setembro de 1907 na Baixa Áustria, educado por sua mãe e pela sr.ª D. Maria das Dores Prego Castelo, além de das línguas estrangeiras aprendeu o português", relatava o Diário de Notícias neste dia 10 de setembro de 1920.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.