O tempo da Juve Leo, o sportinguismo e a experiência. Varandas visto pelo irmão

João Pedro Varandas falou ao DN sobre a eleição do irmão como presidente do Sporting. Garante que o médico esteve sempre seguro de que seria eleito, que vai trazer experiência e conhecimento ao clube e que não teme a sombra de Bruno de Carvalho.

André Cruz Martins
João Pedro Varandas (à esquerda) e Frederico Varandas (à direita) em Alvalade a assistir a um jogo no último ano em que os leões foram campeões, 2002.
 | foto Filipe Amorim/Global Imagens
João Pedro Varandas foi vogal do conselho diretivo no mandato de Godinho Lopes.

João Pedro é o irmão mais velho de Frederico Varandas, o novo presidente do Sporting que foi eleito na madrugada de domingo como sucessor de Bruno de Carvalho. São do clube desde que nasceram e também ele chegou a estar ligado aos leões, como dirigente. Ao DN, por telefone, horas antes de o irmão tomar posse, João Pedro Varandas falou da forma como o novo presidente dos leões viveu a sua eleição. "Ele esteve sempre muito calmo e absolutamente seguro de que seria eleito. Aliás, é uma pessoa extremamente calma e nunca duvidou de que era o preferido dos sócios, mesmo respeitando todos os outros candidatos", referiu

Frederico Varandas, conta o irmão, é leão desde que nasceu, por influência familiar. "O nosso avô era um grande sportinguista, tal como o nosso pai Pedro. E também teve a ajuda do irmão mais velho", atirou, entre risos, João Pedro Varandas. "Vivemos muito intensamente o clube desde muito novos. Íamos ver os jogos de futebol e das outras modalidades com o nosso avô e frequentávamos muito o Estádio José Alvalade", acrescentou.

Os dois irmãos chegaram até a pertencer à claque Juventude Leonina. "Fizemos parte da Juve Leo, penso que entre o 7º e o 11º ano, e aquilo era malta muito boa. O Vasco Matos e o André Bernardo, que estão nos órgãos sociais e que também estudaram no liceu D. Filipa de Lencastre pertenciam a esse núcleo, mas sempre foram tranquilos e procuravam apoiar o Sporting, sem se meter em desacatos.", revelou.

Entre as várias loucuras que Frederico fez pelo Sporting, João Pedro destaca uma célebre final da Taça de Portugal. "Quando os bilhetes ficaram à venda no Estádio José Alvalade, passámos lá toda a noite. Lembro-me perfeitamente de que dormimos no antigo campo de treinos", recordou.

E agora, já na qualidade de presidente, o que pode trazer o seu irmão a este Sporting ainda a recuperar do período conturbado dos últimos meses? "Vai trazer experiência e conhecimento de muitos anos no futebol. Os presidentes do Sporting não nos têm habituado a ter muitas noções de futebol, não sabem o que é o treino e outros aspetos... Independentemente do conhecimento financeiro, que é obviamente importante, a questão e a gestão dos recursos humanos é essencial, pois o futebol é jogado por atletas e o produto final depende do trabalho dos treinadores, dos jogadores, dos médicos...", sublinhou, lembrando ainda que o irmão "conhece muito bem o futebol português, não só devido a estes anos no Sporting, mas também do tempo que passou num clube mais pequeno, o Vitória de Setúbal".

O antigo vogal do conselho diretivo do Sporting destaca ainda o percurso profissional do irmão Frederico. "Para além do curso de Medicina, é formado em Ciências Militares. Estamos a falar de alguém que foi comando. O Frederico é uma pessoa muito resistente e que relativiza a adversidade desde que esteve em cenário de guerra. E num cenário de guerra a sério, a combater os talibãs, não foi propriamente a jogar paintball... Tudo isto permite-lhe ter uma experiência de vida superior comparando com as pessoas normais da sua idade", realçou.

João Pedro Varandas revelou ainda um pormenor curioso: os contratos que Frederico Varandas realizou nos sete anos em que esteve no Sporting "foram sempre de um ano, mas os presidentes gostavam muito dele e renovavam-lhe sempre o vínculo".

Por último, João Pedro Varandas garantiu que o irmão não está minimamente preocupado com o facto de Bruno de Carvalho poder vir a ser uma sombra constante neste primeiro mandato de Frederico Varandas. "Ele está absolutamente tranquilo e não dá qualquer importância a Bruno de Carvalho. Aliás, o próprio Bruno de Carvalho percebeu como o meu irmão é, conhece bem a sua personalidade e por alguma razão não se meteu muito com ele nos últimos meses. Por alguma razão Bruno de Carvalho preferiu a vergonha de ser destituído do que ir a combate nas eleições", concluiu.

Frederico Varandas e os restantes órgãos sociais do Sporting tomaram posse neste domingo, numa cerimónia aberta aos sócios realizada no Auditório Artur Agostinho, em Alvalade. O 43.º presidente da história dos leões fez um discurso curto, em que fez questão de passar algumas ideias, quase sempre assentes no lema da sua campanha, repetindo várias vezes a palavra união. Antes, esteve no Pavilhão João Rocha a assistir ao jogo de andebol entre os leões e o ABC.

"Nasci Sporting, cresci Sporting, respiro Sporting, mas não sou o Sporting. A minha missão é servir o Sporting. A primeira prioridade, minha e desta equipa, é unir o Sporting. Ontem começámos a vencer o adversário mais terrível que já tivemos: o Sporting fraturado. Já começámos a vencer", disse, deixando depois uma palavra "aos elementos dos órgãos sociais que mantiveram o clube vivo, com os funcionários, a funcionar e a vencer".

"Hoje é um novo dia, uma nova era de um Sporting unido. Enquanto presidente tenho de dar o exemplo. Se consigo unir um sócio que possa ter discordado unir, então vocês conseguem unir com quem quer que seja. Enquanto não formos unidos, não vamos conseguir bater-nos com rivais. Só acredito num Sporting forte se for unido. É um dia especial para mim. Por muito que me tivesse preparado, é sempre diferente", acrescentou.

Antes, Rogério Alves, novo presidente da mesa da assembleia geral do Sporting, tinha também discursado. "O lema desta candidatura será a nossa divisa comum. É esta união que faz a força, os sportinguistas querem que seja assim e o Sporting precisa que seja assim. Estamos a construir o primeiro dia do resto das nossas vidas [...] Não queremos nunca mais viver aquelas horas e por isso fizemos as eleições. Tivemos umas eleições que disseram a quem manda, os sócios, que decidam quem fica a dirigir o clube. O escolhido foi o corajoso e resiliente Varandas."

Eis a composição completa dos novos órgãos sociais do Sporting:

Conselho diretivo: Frederico Varandas (presidente); Francisco Zenha (vice-presidente); Pedro Lencastre (vice-presidente); João Sampaio (vice-presidente); Maria Serrano Sancho (vice-presidente); Filipe Osório de Castro (vice-presidente); Pedro Luciano Silveira (vogal); Francisco Rodrigues dos Santos (vogal); Miguel Afonso (vogal); Miguel Nogueira Leite (vogal); Rahim Ahamad (vogal); Alexandre Ferreira (suplente); André Bernardo (suplente); André Cymbron (suplente).

Mesa da assembleia geral: Rogério Alves (presidente); João Palma (vice-presidente); José Manuel Tomé Carvalho (secretário); Pedro Almeida Cabral (secretário); José Costa Pinto (secretário); Maria de Lurdes Mealha (secretária suplente); Miguel Vinagre (secretário suplente); Ana Rita Cunha Calvão (secretária suplente).

Conselho fiscal e disciplinar: Joaquim Baltazar Pinto (presidente); João Teives (vice-presidente); Pires Mateus (membro efetivo); José Pedro Fezas Vital (membro efetivo); Bernardo Foios Simões (membro efetivo); Pedro do Ó Ramos (membro efetivo); Pedro Cabral Nunes (membro efetivo); Vasco Matos (membro suplente); Paulo Gorjão (membro suplente); Sara Araújo Sequeira (membro suplente).

Frederico Varandas foi eleito o 43.º presidente do Sporting, nas eleições ocorridas no sábado, sucedendo a Bruno de Carvalho, que foi destituído do cargo em 23 de junho, informou fonte do clube.

O médico, de 38 anos, foi eleito para um mandato de quatro anos, depois de ter sido diretor clínico do Sporting entre 2011 e 2018 e desempenhado as mesmas funções no Vitória de Setúbal entre 2007 e 2011, sendo ainda proprietário de uma clínica de recuperação física.

Frederico Varandas recebeu 42,32% dos votos (8717 votantes), contra os 36,84% (9735) alcançados por João Benedito, segundo candidato mais votado. José Maria Ricciardi teve 14,55% dos votos, superando as listas encabeçadas por José Dias Ferreira (2,35%), Fernando Tavares Pereira (0,9%) e Rui Jorge Rego (0,51%). Foram ainda registados 2,2% de votos em branco e 0,31% nulos.