Carmona fala ao país depois da viagem a África

O DN de 10 de outubro de 1939 destacava os discursos do presidente Óscar Fragoso Carmona e de António de Oliveira Salazar, presidente do Conselho, à nação. O primeiro tinha acabado de regressar de África.

"Os chefes falam à nação", titulava na primeira página o DN de 10 de outubro de 1939. Eram tempos complicados, pois a Europa estava há pouco mais de um mês em guerra, no seguimento da invasão nazi da Polónia a 1 de setembro. O marechal Carmona, Presidente da República, e o professor Salazar, presidente do Conselho de Ministros, falaram ambos em São Bento, então sede da Assembleia Nacional, hoje Assembleia da República.

Recém-regressado de África, onde visitara Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique, Carmona refletiu sobre essa sua segunda viagem às colónias, afirmando: "Senti bem que nas aclamações ao Chefe do Estado era aclamada a unidade imperial da Pátria Portuguesa." Já Salazar, defensor na neutralidade na Segunda Guerra Mundial, disse haver "no mundo verdadeiro horror à guerra, mas não o há menos a insegurança e a sobressaltada paz em que se tem vivido. Os homens de Estado encontram-se perplexos entre duas situações intoleráveis e buscam em dolorosas meditações a preferência por um daqueles males. A nós nada compete decidir, mas somos lógicos connosco mesmos procurando descortinar se à consciência dos governos e dos povos se abrem só as duas alternativas de angustioso dilema, ou se não é possível rasgar outros caminhos à paz que não sejam os caminhos da guerra".

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