Aconteceu em 1967 - O fim da guerra dos seis dias que mudou o mapa do Médio Oriente

A demissão de Nasser no Egito e o cessar-fogo no Médio Oriente, na que ficou conhecida como "guerra dos seis dias" e que terminou no próprio dia 10, ocupavam a primeira página do Diário de Notícias de há 52 anos.

Em 10 de junho de 1967, a primeira página do DN era quase monotemática, dedicada a mais uma guerra no Médio Oriente, dando conta da "vitória-relâmpago" de Israel na que ficou conhecida como "guerra dos seis dias" e que terminou no próprio dia 10.

No Egito, "a maior 'bomba' estoirou depois da guerra": "Nasser demitiu-se", referindo-se ao presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, que estava como chefe do Estado desde 1954 - e aí se manteria até à sua morte, em 1970. Afinal, contava o DN, "a Assembleia egípcia não reconhece o seu gesto" e Nasser permaneceu no cargo.

A toda a largura da página, o jornal dava ainda conta de que "Moscovo intima Israel a retirar dos territórios ocupados no final de uma reunião cimeira inesperada na capital soviética". As tropas israelitas tinham ocupado os montes Golã, da Síria, a Faixa de Gaza (Egito) e a Cisjordânia (Jordânia) e a península egípcia do Sinai.

Passados 52 anos, o mapa da região pouco se alterou desde esses dias de guerra: os montes Golã permanecem sob ocupação de Israel; e a Faixa de Gaza e a Cisjordânia são territórios autónomos palestinianos, sem continuidade entre os dois e com uma circulação fortemente restringida pelos israelitas, que continuam uma política de instalação de colonatos nestes territórios. Israel só recuou no Sinai, apesar de os egípcios terem perdido o controlo de uma área da península.

O DN informava ainda que aquela tinha sido a "primeira noite sem combates" e que "três submarinos [foram] afundados pelos israelitas", relatando que "um comando de homens-rãs destruiu na madrugada do dia 6, no porto de Alexandria [Egito], navios egípcios portadores de mísseis".

"O delegado russo no Conselho de Segurança [das Nações Unidas]" tinha palavras duras para Israel, comparando o comportamento destes aos nazis julgados no final da II Guerra Mundial, em Nuremberga: "Os israelitas deviam ser julgados como o foram os criminosos de guerra há 20 anos!"

Na parte inferior da página, o DN relatava que "ontem, ainda, antes do cessar-fogo definitivo", "às portas de Damasco", se tinham registado "violentos combates entre sírios e israelitas ao longo de uma frente de 80 quilómetros". "15 000 jordanos foram mortos na luta", acrescentava o jornal.

E sim, Portugal também vivia a sua guerra nas então colónias, mas só uma chamada secundária recordava que, nesse dia 10, se comemorava o Dia de Portugal na Praça do Comércio "perante o chefe do Estado e todo o governo e uma parada de milhares de homens". Eram tempos de autismo de um regime ditatorial: "Consagram-se os mais bravos na luta no Ultramar", dizia o DN.

Numa pequena caixa, outra informação relevante: "Por ser hoje feriado nacional, estão encerrados os nossos escritórios e oficinas, não se publicando amanhã [dia 11] o Diário de Notícias." Eram outros tempos: hoje o DN publica-se todos os dias.

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