Premium 10 de Junho. Não passa um mês sem que Marcelo condecore

Marcelo Rebelo de Sousa ultrapassará neste 10 de Junho a fasquia das 300 condecorações desde o início do seu mandato, há 1187 dias. O Presidente só não condecora quando está de férias.

Até hoje eram 297 - contas feitas pelo DN, consultando o site da Presidência da República. Em muitos casos foram condecorações coletivas: por exemplo, à seleção portuguesa que ganhou o Europeu de futebol em 2016, a uma seleção de futsal e a outra de hóquei.

Na prática, tem funcionado assim: não passa um mês sem que Marcelo condecore alguém. Houve duas exceções que confirmaram a regra: agosto de 2017 (estava de férias); e novembro do mesmo ano. Em agosto de 2016 (estava de férias) só atribuiu uma condecoração, no último dia do mês, à jornalista Manuela de Azevedo (comendadora da Ordem da Instrução Pública); em agosto de 2018, também no dia 31, atribuiu duas: uma ao tenor espanhol Plácido Domingo (Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública) e a Nuno Amado, antigo presidente do Millennium BCP (Grã-Cruz da Ordem do Mérito). De resto, não há mês em que não atribua uma.

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Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.