Premium O estado da nação ou a nação dos vários estados?

Nesta semana o Parlamento fará - como todos os anos - um balanço do Estado da Nação. E não é muito difícil de antecipar o debate, sobretudo quando estamos a um ano de eleições. O governo e o PS tenderão a olhar para o copo meio cheio. A oposição para o copo meio vazio. O Bloco de Esquerda e o PCP ficarão no limbo habitual: o que esta governação tem de bom é mérito deles. O que tem de mau é culpa do PS e, claro, da herança do PSD e do CDS. Não esperemos, por isso, grandes novidades.

O Portugal de 2018 é, em muitos aspetos, melhor do que o de 2017. A economia continuou a crescer, o desemprego continuou a cair, o défice é um dos mais baixos da história da democracia e parte substancial dos rendimentos que foram cortados durante a troika foram repostos. Mas um dos problemas mais graves - e mais antigo - do país continua por resolver: as desigualdades.

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.