Premium "Há uma guerra comercial que mata e que precisa de construir pobres para ver alguns ricos"

Nesta segunda-feira a Declaração Universal dos Direitos Humanos comemora 70 anos de existência. Em Portugal, o diretor da Amnistia Internacional, Pedro Neto, está preocupado com a falta de condições habitacionais de 26 mil pessoas, com ​​​​a discriminação racial, de sexo e com a violência policial.

Nesta segunda-feira comemoram-se os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e em novembro assinalaram-se os 40 anos da adesão de Portugal à Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Qual é a importância destas datas?
Estes 70 e estes 40 anos, além de datas redondas, são um momento muito oportuno e muito importante para fazermos memória e para tornarmos presente o que é a Declaração Universal dos Direitos Humanos e aquilo que são os valores que estão lá transcritos e muito bem transcritos. É um documento final de uma herança histórica que já vem de há muitos anos, desde a Bill of Rights [carta de direitos aprovada pelo Parlamento inglês em 1689], desde a Revolução Francesa, e podemos andar ainda mais para trás na história e veremos estes valores plasmados já na filosofia clássica.

Nos anos recentes estamos a assistir à ascensão líderes autoritários - aquela figura característica do homem forte que nos vem salvar a todos. Portanto, hoje mais do que nunca é importante que as pessoas celebrem os direitos humanos que já vivemos e que se recordem de todos aqueles direitos que ainda não podemos comemorar. Em Portugal, podemos falar de refugiados, de pobreza, de discriminação racial, de discriminação de género. Também a nível político, os extremos parecem estar a ganhar força - tanto a extrema-esquerda como a extrema-direita. É preciso que as pessoas saibam que uma sociedade inclusiva, onde todos temos espaço e o direito de viver sem qualquer tipo de discriminação, está a ser posta em causa com a demonização de certo tipo de pessoas.

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