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O mês de Agosto é uma experiência espiritual. Por todo o país, a diáspora regressada circula penitentemente à volta de ensopados de borrego como peregrinos em Lourdes, e o programa Olhá Festa (SIC) é a versão possível da eucaristia: temos pelo menos o consolo de saber que, a qualquer hora do dia, há dois repórteres em movimento investigativo, percorrendo Portugal com o depósito abastecido de trocadilhos, e trocando olhares cúmplices com as câmaras antes de dizerem coisas como "a planície alentejana dá-me um ratinho no estômago, ó Joana".

Grandes planos de uma panela cheia de comida são intercalados com grandes planos de Joana Latino a olhar para uma panela cheia de comida. O responsável pelas panelas cheias de comida é submetido a um interrogatório implacável: "Então o que é que temos aqui?" "Temos a água, temos o borrego, temos migas de beterraba..." De seguida, interroga-se o superior hierárquico do responsável pelas panelas: "A sopa de cação nasceu no Alentejo, mas isto já é uma desconstrução interessante moderna, né?" O inquirido confessa humildemente que sim, que aquilo é uma desconstrução interessante moderna. Em tempos remotos, o cação era dos poucos peixes de mar com resistência suficiente para chegar ainda fresco à planície. No nosso interessante moderno presente, o peixe viaja sozinho de helicóptero antes de saltar de livre vontade para dentro de uma panela, onde vai narrando a sua própria desconstrução para benefício dos espectadores.

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