Premium Cinco dias em Londres

As confusões e o arrastamento do processo do Brexit são, por si só, prova insofismável de que esta loucura foi uma péssima opção para todos.

Vesti hoje um fato azul-claro dos Fifty-Shilling Taylors, barato e com um aspecto sensacional, que julguei apropriado para o novo governo", "Jantei com Mrs. Henley e depois fui dançar ao Savoy... O Savoy estava abafado e senti-me exausto", "Dei um passeio de cavalo até Richmond, sob um calor de Verão. Quando desmontei, o moço de estrebaria disse-me que a Holanda e a Bélgica tinham sido invadidas" - eis algumas anotações do diário de John Colville, um aristocrata e alto funcionário britânico que acompanhou de perto as movimentações políticas que levaram à queda de Neville Chamberlain e à ascensão ao poder de Winston Churchill. Lá fora, não muito longe, Hitler ia invadindo a Europa a uma cadência impressionante, as nações caíam umas atrás das outras como castelos de cartas, mas nem isso parecia abalar os afazeres sociais de homens como John Colville, divididos entre bailes no Savoy e passeios de cavalo até Richmond.

A 10 de Maio de 1940, Winston Leonard Spencer-Churchill assumira o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Na tarde desse dia, ao regressar a casa vindo do Palácio de Buckingham, o seu guarda-costas felicitou-o pela nomeação. Churchill respondeu de lágrimas nos olhos: "Espero que não seja demasiado tarde. Tenho medo de que seja." O governo de Chamberlain caíra na sequência da invasão da Noruega pelas tropas nazis, facto que mostrara não ser possível negociar com Hitler nem alimentar mais falsas esperanças de "apaziguamento". Enquanto primeiro lorde do Almirantado do governo de Chamberlain, Churchill tomara a decisão de estabelecer uma presença britânica na costa norueguesa e fora isso, em larga medida, que precipitara a invasão nazi - e a queda do Gabinete.

Na votação decisiva nos Comuns, porém, Churchill conservou-se ao lado de Chamberlain, numa demonstração de lealdade sem reservas, tendo mais tarde outros gestos reveladores (por exemplo, não se mudou logo para o n.º 10 de Downing Street, deixando que o antigo primeiro-ministro se mantivesse lá). O executivo caiu, Chamberlain preferia lorde Halifax como seu sucessor, e era também esse o desejo do rei, mas Churchill acabou por ser nomeado. Quando apareceu nos Comuns três dias depois da designação, foi recebido com pouco ou nenhum entusiasmo, e até alguma hostilidade, por parte dos seus correligionários do Partido Conservador. O famoso discurso "sangue, suor e lágrimas", hoje considerado uma das mais brilhantes peças oratórias do século XX, foi acolhido com indiferença e cepticismo na Câmara dos Comuns.

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