Premium A vida desafina

João Gilberto exigia a perfeição em sua arte. Mas não pôde impedir que a vida real fugisse terrivelmente ao seu controle.

Todas as vezes em que se viu diante de um microfone, João Gilberto lutou para exercer o controle. Fez isso pelo menos desde o dia 10 de julho de 1958, quando gravou o samba Chega de Saudade, no antigo estúdio da Odeon, na Avenida Rio Branco, no Rio. Já naquele dia mostrou a que vinha: exigiu dois microfones - um para sua voz, outro para o violão. Não era uma prática comum, mas os técnicos o atenderam. O resultado, todos sabem. Ali nascia um novo som, um novo ritmo, um novo mundo - a bossa-nova.

"Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele", escreveu Tom Jobim na época. E foi assim desde então. Em todos os seus discos, João Gilberto foi o verdadeiro autor dos arranjos, mesmo que escritos por outros. Os encarregados dos trabalhos de pós-produção (mixagem, corte, prensagem) também foram apresentados a um novo grau de perfeccionismo - o dele. O mesmo que exigia de si mesmo.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.