Premium Da prática literária em contexto balnear

Deve ser leve e maleável, passível de ser manuseado com uma só mão, dobrado, maltratado até. Evitem-se as obras autografadas e as edições de luxo já que a acumulação de areia junto à lombada e as manchas de protector solar estão garantidas. O papel não deve ser tão branco que encandeie nem tão amarelo que dificulte a leitura, os caracteres devem ter a dimensão suficiente para que sejam decifrados à distância de um braço esticado.

O tema deve ser cativante e a narrativa fluida e ritmada, nem tão denso que percamos o fio à meada entre mergulhos, nem tão frívolo que nos faça perder tempo. As personagens não devem ser em excesso e o vocabulário apreensível sem o auxílio de dicionários.

Há muitos e bons, nacionais e estrangeiros, escolham com cuidado e tenham boas férias.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.