Combustíveis nacionais brilham na Tunísia e nos EUA, China e Irão cortam nos carros

No primeiro semestre, Espanha reforçou compras a Portugal no valor de 410 milhões de euros. O maior travão às exportações nacionais veio de Angola, que comprou menos 135 milhões.

As exportações nacionais de mercadorias avançaram 6,6% no primeiro semestre deste ano face a igual período de 2017, informou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O incremento nas vendas de combustíveis para países como a Tunísia e os Estados Unidos ou de produtos eletrónicos para a Alemanha e a Eslováquia foram importantes nesta dinâmica. A exportação de carros para os quatro maiores mercados da zona euro (França, Alemanha, Itália e Espanha, mas também para outros mais pequenos como Áustria, Bélgica, Suécia e Polónia) deu um impulso decisivo quer ao setor quer às expedições totais de bens.

O setor automóvel valia 14% do total na primeira metade do ano. É o maior e têm o dobro do peso face aos "petróleos refinados" (6,7%), que é o segundo mais importante.

No entanto, embora as vendas para a Europa estejam a correr bem (crescimento homólogo de 9,5% no período de janeiro a junho), muitos mercados fora da União Europeia estão em clara retração, a importar menos produção nacional.

Angola, China e Arábia Saudita estão a comprar menos

No global, a redução de vendas para esses territórios foi de 1,7% no período em análise. Mas uma análise mais fina realizada pelo Dinheiro Vivo mostra, por exemplo, que os maiores contributos para a descida vieram de Angola (menos 135 milhões de euros), China (menos 105 milhões), da Arábia Saudita (menos 33 milhões) ou até de países como Líbano (quebra de 24 milhões), Taiwan (22 milhões a menos) e Irão (descida de 20 milhões).

Em todo o caso, cabe referir que, no primeiro semestre, Angola era o oitavo melhor cliente de Portugal. China, o 13.º. Os mercados mais valiosos continuam a ser: Espanha, França, Alemanha e Reino Unido. Por esta ordem.

Em que mercados e segmentos produtivos está Portugal (as exportações) a ganhar força? E onde está a perder gás?

Com base no cruzamento de dados sobre produtos e países, é possível ver que no setor atualmente mais valioso para a economia portuguesa (vendas de automóveis) os maiores retrocessos de vendas aconteceram nos mercados da China (69 milhões de euros a menos), Irão (descida de 18 milhões), Suíça (13 milhões), Argentina (11 milhões) e Israel (8,5 milhões).

Masno global o setor automóvel até esteve bem (acumulou mais 1,1 mil milhões de euros em valor vendido). Os maiores contributos vieram de França (222 milhões de euros), Alemanha (179 milhões) e outros grandes da Europa, mas ainda de territórios mais distantes e menos falados. A Eslovénia comprou mais 27 milhões de euros em carros made in Portugal. A Polónia mais 47 milhões. A Áustria mais 91 milhões.

Ajuda da Tunísia, quebra de vendas no Líbano

As vendas de combustíveis brilharam mais com os aumentos registados nos EUA (mais 94 milhões de euros), na Tunísia (77 milhões) e com o abastecimento a barcos de recreio e aviões, que não são registados como território. Esta atividade, que está muito ligada ao fluxo grande do turismo, teve um aumento impressionante superior a 86 milhões de euros no primeiro semestre, indicam os cálculos do Dinheiro Vivo com base na informação oficial do INE.

E quem está a comprar menos refinados a Portugal? Brasil (quebra de dez milhões), Gibraltar (14 milhões), Costa do Marfim (15 milhões de euros), Líbano (24 milhões), Holanda (30 milhões) e Itália (comprou menos 55 milhões de euros a Portugal em combustíveis).

Os produtos alimentares foram a terceira exportação mais importante de Portugal na primeira metade do ano. Espanha e Brasil deram os maiores contributos para a subida geral do setor: mais 71 e 25 milhões de euros em compras, respetivamente.

Pelo contrário, Angola comprou menos 36 milhões de euros em alimentos portugueses. Logo a seguir aparecem África do Sul (nove milhões a menos), Reino Unido (oito milhões) e Emirados Árabes Unidos (quatro milhões).

Outro setor líder em Portugal é o vestuário. Itália deu um impulso significativo, com mais 38 milhões de euros em compras face ao primeiro semestre de 2017. Já Espanha cortou 38 milhões em roupa portuguesa.

Uma visão mais geral

O INE observa que, no primeiro semestre de 2018, "verificaram-se aumentos de 6,6% nas exportações e 8,8% nas importações" e que estes valores mostram um abrandamento "significativo face ao mesmo período de 2017", altura em que estavam a crescer "12,2% e 14,3%, respetivamente".

Excluindo os combustíveis e lubrificantes, o que permite expurgar a volatilidade deste produto, pois os preços são algo voláteis e definidos no mercado global, o acréscimo das exportações foi de 6,4% e as importações avançaram 8% no primeiro semestre de 2018.

Tudo considerado, as exportações estão a crescer, mas a perder força face à situação vivida há um ano. As importações idem, mas, no entanto, o défice comercial agravou-se de forma vincada no primeiro semestre, mais 18% em termos homólogos. As compras de Portugal ao estrangeiro superam as vendas em mais de 7,6 mil milhões de euros.

No entanto, sabe-se que, juntando a balança de serviços, a situação ficará mais equilibrada, sobretudo com o forte contributo do turismo.

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