Álvaro Lins em Lisboa e a Ribeira das Naus a estrear

Numa primeira página com notícias que iam da Política ao Desporto, dois temas eram destacados nesta data: a chegada do escritor brasileiro a Lisboa e a abertura da nova via lisboeta aos carros

Numa tira estreita mas colocada bem no meio da capa, o Diário de Notícias homenageava o escritor brasileiro que acabara de chegar a Lisboa com a mulher. "A bordo do paquete Serpa Pinto, que ontem de manhã regressou ao Tejo, chegou como anunciámos o conhecido escritor e ensaísta brasileiro Álvaro Lins, que vem visitar o nosso país a convite do Secretariado Nacional da Informação", relatava o DN, acrescentando que o brasileiro trouxera a mulher, Heloísa, tendo ambos sido recebidos por uma comitiva de personalidades destacadas de Portugal e do Brasil.

Ao lado, com mais destaque, dava este jornal conta da inauguração que prometia alterar o mapa de estradas de Lisboa: "a nova avenida da Ribeira das Naus foi aberta ao trânsito", escrevia-se, descrevendo como o trânsito podia agora fluir. "Pela nova avenida começaram a seguir automóveis, camiões e bicicletas (...) ao passo que os elétricos, os autocarros e as carroças continuam a utilizar a rua do Arsenal".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

OE 2019 e "o último orçamento que acabei de apresentar"

"Menos défice, mais poupança, menos dívida", foi assim que Mário Centeno, ministro das Finanças, anunciou o Orçamento do Estado para 2019. Em jeito de slogan, destacou os temas que mais votos poderão dar ao governo nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Não é todos os anos que uma conferência de imprensa no Ministério das Finanças, por ocasião do orçamento da nação, começa logo pelos temas do emprego ou dos incentivos ao regresso dos emigrantes. São assuntos que mexem com as vidas das famílias e são temas em que o executivo tem cartas para deitar na mesa.

Premium

nuno camarneiro

Males por bem

Em 2012 uma tempestade atingiu Portugal, eu, que morava na praia da Barra, fiquei sem luz nem água e durante dois dias acompanhei o senhor Clemente (reformado, anjo-da-guarda e dançarino de salão) fixando telhados com sacos de areia, trancando janelas de apartamentos de férias e prendendo os contentores para que não abalroassem automóveis na via pública. Há dois anos, o prédio onde moro sofreu um entupimento do sistema de saneamento e pude assistir ao inferno sético que lentamente me invadiu o pátio e os pesadelos. Os moradores vieram em meu socorro e em pouco tempo (e muito dinheiro) lá conseguimos que um piquete de canalizadores nos exorcizasse de todo mal.

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.