Netanyahu e Gantz reivindicam ambos a vitória em Israel

6,3 milhões de eleitores israelitas foram na terça-feira chamados a votar para eleger 120 deputados do Knesset. Foram apreendidas 1200 câmaras de filmar ilegais que membros do Likud, partido de Netanyahu, tinham levado para os locais de votação das cidades árabes de Israel.

Benjamin Netanyahu (Bibi) e Benjamin Gantz (Benny) surgem em situação de empate virtual depois de divulgadas as primeiras sondagens à boca das urnas em Israel. Segundo as projeções do Canal 13, citadas pelo El País, tanto o Likud do atual primeiro-ministro como a Coligação Azul e Branca do antigo chefe do Estado-Maior israelita surgem com 36 eleitos. A distribuição de lugares no Parlamento de Israel continuará fragmentada entre estes partidos e mais de uma dezenas de outras formações.

Outras projeções, nota o Haaretz, dão Gantz, de 59 anos, com mais dois ou três eleitos do que Netanyahu, de 69. Os jornalistas deste jornal israelita tuitaram imagens da sede do Likud meio vazia e deram conta de euforia da Coligação Azul e Branca, onde, relatam, o rival do atual chefe do Estado decidiu desde logo cantar vitória. "Nós ganhámos! A opinião pública israelita falou!", indicou a Coligação Azul e Branca numa declaração citada pelo Le Monde.

"O bloco de direita liderado pelo Likud teve uma vitória clara. Irei formar um governo de extrema-direita com os nossos aliados naturais nesta noite mesmo", disse, por seu lado, o líder do Likud, num tweet citado pela Reuters. O atual primeiro-ministro poderá formar, com outros partidos de extrema-direita, uma aliança para ter uma maioria absoluta de mais de 60 deputados no Knesset (Parlamento israelita). Yaakov Litzman, do partido Judaísmo Unido da Torah, já afirmou que irá recomendar ao presidente israelita a nomeação de Netanyahu como primeiro-ministro.

6,3 milhões de eleitores israelitas foram na terça-feira chamados a votar para eleger os 120 deputados do Knesset. O escrutínio era considerado como um referendo a Benjamin Netanyahu, que chegou ao poder em Israel há 13 anos e tenta, assim, chegar ao quarto mandato consecutivo (quinta vez no total), tornando-se o líder israelita há mais tempo no poder e ultrapassando até mesmo o fundador do Estado de Israel David Ben-Gurion. Apesar do apoio de líderes mundiais, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, Netanyahu enfrenta a nível interno uma série de acusações de corrupção.

A votação decorreu entre as 07.00 e as 22.00 locais - em Lisboa são menos duas horas do que em Israel -havendo dez mil assembleias de voto espalhadas pelo país. A polícia israelita retirou, durante o dia, mais de mil câmaras de filmar que auditores e observadores do partido Likud tinham levado para os locais de votação das cidades árabes de Israel.

A coligação Hadash-Taal, que integra comunistas, partidos de esquerda e árabes, apresentou uma queixa à Comissão Eleitoral por ter encontrado dispositivos de gravação escondidos por simpatizantes do Likud, tendo a polícia sido chamada para retirar mais de 1200 câmaras e "garantir o direito ao voto secreto". Questionado sobre a situação, Netanyahu defendeu que as câmaras servem para "garantir o voto legítimo".

A Comissão Central Eleitoral de Israel proíbe gravações nos centros de voto tanto de eleitores como do processo em si, exceto por jornalistas acreditados, tendo considerado esta situação como "ilegal".

Ao meio dia, 10.00 em Lisboa, Netanyahu e Gantz já tinham votado. O atual chefe do governo, que votou em Jerusalém ao lado da mulher, Sara, pediu aos israelitas para votar porque se trata de um "ato sagrado".

Gantz, que votou na sua cidade natal, Rosh Haayin, no centro de Israel, ao lado da sua mulher, Revital, exortou os israelitas a votar e a "assumir a responsabilidade" pela democracia no país. "Vão votar. Escolham a pessoa em quem mais acreditam. Respeitem uns e outros e vamos acordar para um novo dia, uma nova história", afirmou o antigo chefe do Estado-Maior.

A meio do dia, quando faltavam seis horas para as urnas encerrarem, a taxa de participação era de 42,8%, menos do que os 45,4% registados em igual período nas eleições legislativas de 2015. Nesse ano, a nível global, a participação foi de 71,8%. Segundo o jornal israelita Haaretz, Netanyahu cancelou uma deslocação que tinha previsto fazer por ter recebido informação sobre a fraca afluência de eleitores do Likud. "À entrada em Ashdod, a caminho de um evento do Likud, recebi uma atualização sobre a fraca taxa de participação dos apoiantes do Likud, comparando com os apoiantes da esquerda. Cancelei o evento e fui para uma reunião de urgência em Jerusalém. A direita tem de ser salva. Faltam apenas algumas horas. Saiam de casa e votem no Likud, ou terão um governo de extrema-esquerda", escreveu o líder do Likud no Twitter, segundo o jornal Haaretz.

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