Premium PRD. Um caso de exceção

Quando foi pela primeira vez a eleições, em 1985, o Partido Renovador Democrático elegeu 45 deputados e conseguiu mais de um milhão de votos.

O contexto político e social era outro, Portugal tinha saído há cerca de uma década da ditadura e estava sob intervenção do FMI, e a criação do PRD acabaria por ser um caso sério na cena parlamentar. Tendo como mentor o Presidente da República Ramalho Eanes - que viria a liderá-lo a seguir a Hermínio Martinho -, o Partido Renovador Democrático surgiu em 1985 contra a política de austeridade do governo de Bloco Central PS-PSD (1983-1985) liderado por Mário Soares e Mota Pinto.

Com a queda do executivo do Bloco Central, o Partido Renovador Democrático conseguiu eleger 45 deputados (mais de um milhão de votos) e em 1987 apresentou uma moção de censura que levou à queda do governo de minoria de Cavaco Silva. A estratégia não resultou e o PRD ficou apenas com sete deputados ao mesmo tempo que Cavaco alcançou a primeira de duas maiorias absolutas.

O PRD acabaria por dar lugar ao PNR, organização política de extrema-direita, que nada tem que ver com o partido criado por Ramalho Eanes e Hermínio Martinho.

Aproveitando-se do facto de o PRD estar em falência e porque não conseguiam reunir as então 5000 assinaturas para criar uma formação, elementos do PNR inflitraram-se no partido, pagaram as dívidas e depois mudaram-lhe o nome para Partido Nacional Renovador.

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João Gobern

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