Premium O Bolso ou a Vida

Por mais que procure, não encontro melhor espelho para um sentimento que gostava de evitar: por estes dias, dói-me o Brasil. Impressiona-me, com susto e com desgosto, o apoio popular ao vencedor da primeira volta das eleições presidenciais, Jair Bolsonaro. Faz-me pensar, a (quase) bipolarização de um putativo colosso a que, para dia 28 próximo, são deixados apenas dois caminhos - de um lado, a escolha de um homem de extrema-direita, adepto (e praticante?) da tortura, em tempos defensor das bombas para resolver uma questão salarial nas Forças Armadas, alguém apostado em não deixar escapar todas as hipóteses de reverter todos os passos de progresso civilizacional que o Brasil foi dando em questões que parecem tão óbvias como a raça, o género ou a opção sexual; do outro, o prolongamento no poder de um partido que se deixou tentar por todas as maquiavélicas seduções que se abrem a quem o exerce, esquecendo-se sempre, até agora, de apresentar desculpas pelos desvios ou de fazer uma autocrítica pelos excessos. Nenhuma destas opções será, porventura, a ideal para que se acabe de uma vez com a ideia do "país adiado". Mas, ainda assim, também me parece bizarro que se equiparem estas duas hipóteses.

Confesso, tive pena de não ser brasileiro para poder viver por lá (no Rio de Janeiro, para ser rigoroso), com a intensidade recomendável, todos os passos que conduziram à democracia, algo que a idade me não permitira no nosso 25 de Abril

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5 anos. A Crimeia é russa mesmo que Ocidente não goste

Em março de 2014, no auge da rebelião na Ucrânia que derrubou o regime pró-russo de Viktor Ianukovitch, forças russas ocupavam a Crimeia e Moscovo decretava a 18 a anexação da península e a sua plena integração na Federação Russa. Era o início de uma crise que, cinco anos depois, continua a envenenar as relações entre a Rússia e o Ocidente.