Premium Escrever com os pés

"Nenhuma cidade deve ser tão grande que não possa ser percorrida a pé numa manhã", a frase pertence ao escritor e crítico inglês Cyril Connolly que a escreveu na década de 40, quando a sua Londres contava já com mais de quatro milhões de habitantes e precisava de bem mais do que uma manhã para ser percorrida.

Não sei em quanto tempo se poderá dar uma volta completa a Lisboa, mas o Bairro dos Anjos leva-me pouco menos de duas horas, incluindo becos, travessas e escadinhas e uma pausa para café. Caminhar é umas das melhores formas de escrever, já que as ideias vão atrás dos olhos, tentando ligar as personagens aos locais, o que se mostra ao que está escondido, a realidade à ficção.

Caminhar é umas das melhores formas de escrever, já que as ideias vão atrás dos olhos, tentando ligar as personagens aos locais, o que se mostra ao que está escondido, a realidade à ficção.

O autor de BD Jiro Taniguchi publicou em 2016 uma novela gráfica chamada O Homem Que Passeia que é exatamente isso e não precisa de ser mais. Não há ali histórias nem personagens inventadas, apenas os sons, os cheiros e a cidade, é o livro perfeito para levar as ideias de passeio.

Escritor. Escreve de acordo com a antiga ortografia

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Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

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Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.