Premium Podemos continuar a gostar de Michael Jackson?

Com dois poderosos testemunhos sobre abusos sexuais de menores, o documentário Leaving Neverland ensombra Michael Jackson. Será que sobrevive o legado do rei da pop?

Há relatos que ninguém quer ler. Durante anos, ignoram-se os rumores, fecham-se os olhos a todos os sinais, aos alertas mais ou menos evidentes que vão aparecendo. Sabemos que a fama chega com milhões de euros, que os euros atraem interesseiros e que esses podem querer aproveitar-se. Também sabemos que os artistas são dados a excentricidades, loucuras mais ou menos recomendáveis, mas nem por isso, necessariamente, criminosas. Também é sabido que com as figuras mais mediáticas, da música, do cinema ou do desporto, desenvolvemos afinidades, como se fossem velhos amigos, conselheiros ou confidentes. E esses nunca, em cenário algum, cometem atrocidades.

Preferimos sempre acreditar que estão a ser vítimas de cabalas, chantagens, conspirações orquestradas por rivais menos talentosos, invejosos, qualquer força obscura serve de justificação. Em caso de dúvida, são "os mass media, que dissecaram tudo para chegar às suas conclusões", o melhor "é esperar pela verdade, no fim", "inocente". Palavras de Michael Jackson depois de ter sido acusado de abuso sexual de menores e sujeito a exames periciais pela polícia norte-americana. Culpado? "Só de ajudar crianças em todo o mundo, de amar crianças de todas idades e cores e de sentir felicidade ao ver os seus sorrisos inocentes." Estávamos em 1993 e sabemos agora que, afinal, a história pode ter sido bem diferente.

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