Premium O que se passa com o centro alemão?

CDU/CSU e SPD, outrora partidos predominantes, estão agora em crise profunda. Nas europeias, juntos, já não somaram 50%. Verdes sobem e podem tornar-se o primeiro partido na Alemanha.

Os alemães gostam de Angela Merkel e, segundo as sondagens, querem que ela cumpra o seu mandato de chanceler até ao fim, ou seja, 2021. O mesmo não se poderá dizer em relação ao seu governo. O problema não é um, são vários: é o seu partido, os seus aliados bávaros, os seus parceiros de coligação sociais-democratas, a fadiga, o descontentamento generalizado, a ascensão da extrema-direita. Longe vão os tempos de predominância dos democratas-cristãos e dos sociais-democratas. O centro alemão entrou em crise e, atualmente, a CDU/CSU de Merkel disputa com os Verdes o primeiro lugar nas intenções de voto num cenário de eleições legislativas antecipadas. O SPD entrou em modo travessia do deserto.

Face a este cenário, a pergunta que muitos colocam é a seguinte: conseguirá Merkel realmente chegar a 2021? Ela, inamovível, com a mesma postura que liderou a crise financeira e económica da UE, diz que sim. "Claro que respeito a decisão do SPD em relação ao sucessor de Andrea Nahles. Além disso, gostaria de falar em nome do governo, dizer que vamos continuar com o trabalho do governo deste país com a mesma dedicação. As questões que temos de enfrentar estão na ordem do dia, na Alemanha, na Europa e em todo o mundo. É nesse espírito que vamos continuar a trabalhar juntos", declarou a chanceler, no passado fim de semana, quando Nahles se demitiu de líder do SPD, após os maus resultados obtidos nas eleições regionais do estado federado de Bremen e nas europeias. Nas primeiras sofreu a sua primeira derrota em 73 anos e nas segundas ficou em terceiro lugar, atrás do partido dos Verdes de Annalena Barbock e Robert Habeck. Aliás, nestas eleições europeias, somados, CDU/CSU e SPD já não conseguem chegar aos 50%. Os sociais-democratas têm agora, até ver, três líderes interinos: Thorsten Schäfer-Gümbel, Manuela Schwesig e Malu Dreyer.

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