Premium Hugh Grant num "escândalo" que não é só para inglês ver 

Em estreia na HBO Portugal, a série A Very English Scandal é um elegante e divertido jogo de segredos obscenos num cenário político, com um Hugh Grant no estado mais apurado.

Dois homens ingleses sentados à mesa num restaurante partilham pequenas grandes inconfidências sobre a vida sexual, enquanto gracejam à volta da palavra "gay" e da sua equivalência com a alegria e a felicidade. Corre o ano de 1965, quando a homossexualidade ainda era considerada crime no Reino Unido (só deixou de ser depois de 1967), e não surge como um pormenor insignificante que estes comensais sejam figuras da classe política. Terminado o almoço, fazem um brinde com cálices de vinho do Porto, em jeito de celebração, e um deles diz para o outro: "não passamos de um par de velhas rainhas". Que outra tirada melhor para arrancar com o genérico de A Very English Scandal?

A série realizada por Stephen Frears (Ligações Perigosas, A Rainha) e escrita por Russell T. Davies (Doctor Who) adapta, em três episódios, o livro homónimo de John Preston sobre o caso Jeremy Thorpe, o líder do Partido Liberal que nos anos 1970 se constituiu o primeiro político britânico a ser julgado por conspiração e tentativa de assassinato. Thorpe é Hugh Grant, um dos homens da conversa indiscreta no restaurante. O outro, Peter Bessell (Alex Jennings), o melhor amigo deste, que vai estar do seu lado quando um ex-namorado de Thorpe, Norman Scott (Ben Whishaw), levanta uma séria ameaça sobre a sua reputação, endereçando uma extensa carta à mãe do político a descrever, sem meias palavras, pormenores da relação homossexual que manteve com ele. Ao longo dos anos, as cartas que o próprio Thorpe escreveu - que incluem o uso de um cómico apelido - voltam para o assombrar, e o terror de tal segredo vir a público parece ter como única solução o desaparecimento do "empecilho" Scott.

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