Exclusivo Ozu: uma casa japonesa, com certeza

É o grande livro de cinema publicado em Portugal neste início de ano, e uma das mais importantes obras de ensaio sobre um realizador a chegar à tradução portuguesa: Ozu, de Donald Richie, abre-nos a porta para a casa japonesa que é o cinema de Yasujiro Ozu.

Não há muitas capas de livros que nos convoquem para o seu interior como a capa da edição portuguesa de Ozu, a monografia de Donald Richie finalmente publicada entre nós, para regozijo de muitos cinéfilos. E o curioso, desde logo, é que esta capa funciona não apenas como uma referência para quem conhece a obra do realizador de Viagem a Tóquio, mas igualmente para quem de alguma maneira se interessa pela cultura japonesa. Ao simular a textura do tecido sobre o qual correm os créditos de abertura nos filmes do cineasta nipónico, a capa tem, por um lado, o simbolismo do convite ao espectador e, por outro, um bom gosto oriental que não deixa indiferente o leitor mais distraído que passe os olhos pelas novidades literárias.

Apresentado há dias na Cinemateca, o livro que nos chega traduzido por António Nuno Júnior, com um esmerado trabalho editorial da The Stone and The Plot, é um objeto raro na paisagem da literatura de cinema em Portugal. A começar pelo facto de se tratar de uma obra de culto (publicada em 1974) sobre um realizador muito apreciado por cá, cujos filmes de quando em vez regressam ao grande ecrã. Ainda no último ano, na altura do confinamento, e perante a impossibilidade da sala escura, a distribuidora Medeia Filmes disponibilizou online três títulos do cineasta - A Flor do Equinócio, O Fim do Outono e Bom Dia -, consciente de que qualquer espectador encontraria neles uma certa serenidade doméstica adequada ao contexto. Ou, por outras palavras, encontraria neles "o verdadeiro gosto japonês", como refere Donald Richie, de resto, um americano fascinado com o Japão, que se dedicou aos escritos sobre a cultura, a estética e o cinema deste país.

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