Premium Somos todos cúmplices

Posso apenas imaginar o que leva um homem a torturar e a matar alguém com quem vive ou viveu, uma mulher de que provavelmente gostou, com quem quis construir uma vida. Não consigo, porém, pôr-me no lugar dessas vítimas. A minha imaginação não chega para conceber o nível de terror em que essas mulheres e crianças vivem. Não sou capaz de pensar o que sentem sabendo que quando se dirigem para a sua casa, para o seu refúgio, vão ser vítimas de agressões, violações, insultos. Todos os dias. Todos os dias durante meses, anos. E quando conseguem escapar vencendo o medo, contra tudo e contra todos, continuam a ser perseguidas pelos seus algozes. Outra tortura, a do medo contínuo.

Não sei, de facto, o que leva um homem concreto a transformar-se num selvagem canalha, mas conheço o país onde ele cresce e medra.

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Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.