Premium Quinze dias de massa meada de primeira com vista de mar

Bibes, chapéus de palha, meias pelo joelho e o melhor calçado. As candidaturas eram feitas nas Casas do Povo e os felizes contemplados passavam duas semanas junto ao mar.

"Nessa altura, quem é que saía de Campo Maior? Ninguém. As pessoas não tinham meios. Eu tinha um sonho, a ambição de ir de férias. Soube que havia uma colónia e não hesitei. Por intermédio da Casa do Povo, fui dos primeiros a ir. Primeiro, passei três verões seguidos na Foz do Arelho; e, depois, dois na zona de Lisboa. Íamos para a colónia balnear da Brigada Naval, entre Paço de Arcos e Santo Amaro de Oeiras. Eram muitas crianças mas algumas tinham dificuldade de adaptação. As pessoas viam em mim a capacidade de liderança, e, de facto, o meu espírito era esse. Recordo que gostava de observar os carros que passavam e as pessoas que entravam naquelas casas enormes." O relato e a memória são de Rui Nabeiro. Nascido em 1931, teria nesta altura em que saiu do Alentejo para ver o mar e as casas "enormes" da Linha de Cascais entre 10 e 13 anos.

Como centenas de outras crianças filhas de pessoas de poucos recursos, o agora comendador foi um dos contemplados para ir passar férias às então famosas colónias balneares infantis criadas no Estado Novo. A primeira e mais conhecida de todas surgiu em 1927, criada pelo diretor do jornal lisboeta O Século. Era o jornal e as doações dos leitores que suportavam os custos das centenas de crianças que durante o verão passavam férias em São Pedro do Estoril.

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