Vacinação no Reino Unido. O primeiro dia do resto da pandemia

Vacina contra a covid-19 começou a ser administrada nesta terça-feira em todo o território britânico. Pfizer veio repetir garantias de segurança.

O primeiro dia de vacinação contra a covid-19 centrou os olhos do mundo no Reino Unido, nesta terça-feira, com a esperança de que este seja o primeiro dia em que a pandemia entra em contagem decrescente. Cerca das 06.30 da manhã, Margaret Keenan, que completará 91 anos na próxima semana, foi a primeira pessoa a receber a vacina da Pfizer e da BioNTech, no Hospital Universitário de Coventry, no centro de Inglaterra.

Segundo a BBC, que cita fontes do serviço nacional de saúde inglês, "milhares de pessoas foram vacinadas" ao longo desta terça-feira - mas o número não foi precisado por fontes oficiais. A vacina começou a ser administrada em cerca de meia centena de hospitais, em todo o país, que estão já a agendar a administração da segunda dose da vacina para daqui três semanas. De acordo com as autoridades de saúde há 800 mil vacinas disponíveis para as próximas semanas e no final do mês deverão chegar quatro milhões de doses. Para já, segundo o plano traçado pelas autoridades de saúde inglesas, será dada prioridade aos idosos com mais de 80 anos, aos residentes e funcionários de lares de idosos e aos profissionais de saúde com riscos acrescidos de contágio.

Logo pela manhã, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, saudou o início do processo de vacinação e sublinhou o exemplo de Margaret Keenan. Mas, nas redes sociais, como nos comentários ao tweet de Johnson, abundam as dúvidas e exigências de garantia de segurança das vacinas. Também por isso, o sistema de saúde britânico abriu as portas para mostrar os primeiros cidadãos a serem vacinados e as imagens, de idosos a veteranos profissionais de saúde, invadiram o espaço público, promovidas por entidades oficiais e autoridades.

Albert Bourla, diretor executivo da Pfizer, farmacêutica responsável pela vacina, também veio garantir nesta terça-feira que nenhuma etapa foi cortada no processo de testes e aprovação, assegurando que a vacina contra o coronavírus foi "testada exatamente da mesma forma que foram testadas todas as outras vacinas que usamos". E até foi mais longe, num encontro (virtual) promovido pela Federação Internacional das Associações da Indústria Farmacêutica (IFPMA), garantindo que os padrões de segurança até são mais apertados do que o habitual, dado o elevado escrutínio a que esta vacina foi sujeita.

A vacina, que recebeu na passada semana a aprovação do regulador britânico, começou a ser administrada no mesmo dia em que o Reino Unido registou mais 616 mortes (o valor mais alto da última semana) e 12 282 novos casos de contágio (o número mais baixo dos últimos oito dias). No parlamento, o ministro da Saúde britânico, Matt Hankock, afirmou que o processo que se iniciou nesta terça-feira é uma "tarefa hercúlea" que vai demorar tempo, apelando a que não se baixe a guarda agora, pelo que é preciso manter todas as regras impostas nos últimos meses para travar a propagação da covid-19.

Desde o início da pandemia, o Reino Unido contabilizou oficialmente 62 033 mortes de covid-19 e 1 750 241 casos.

No mesmo dia em que o Reino Unido iniciou o processo de vacinação, a imprensa norte-americana noticia que a Food and Drug Administration (FDA), o regulador norte-americano dos medicamentos, concluiu que os dados da vacina da Pfizer estão de acordo com os critérios definidos para o uso de emergência da vacina (que ainda não tem autorização nos Estados Unidos). Os especialistas da FDA concluíram que a vacina confere "forte proteção" contra o novo coronavírus após dez dias sobre a toma da primeira dose.

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