Premium Luís Miguel Cintra: "Há uma vontade do sistema político de estupidificar as pessoas"

O encenador serve-nos uma Canja de Galinha (com Miúdos) para aliviar a azia provocada pelos males da sociedade contemporânea. O espetáculo, a partir de textos de Camilo, estreia-se na terça-feira no Museu da Marioneta, em Lisboa.

Sentado na plateia do auditório do Museu da Marioneta, em Lisboa, uma sala pequena mas acolhedora onde na terça-feira se estreia o espetáculo Canja de Galinha (com Miúdos), Luís Miguel Cintra não consegue esconder a desilusão. Com a sociedade de uma maneira geral, com o sistema artístico - e teatral - em particular.

Aos 70 anos, o encenador, que há três anos se despediu do Teatro da Cornucópia, a companhia que dirigiu durante mais de 43 anos, e que já antes se tinha despedido dos palcos devido à doença de Parkinson, tem dificuldade em movimentar-se mas o seu discurso mantém-se intacto. A voz tranquila, o pensamento claro. A sinceridade desarmante: "Agora ainda me sinto muito mais livre, pois tenho muito pouco tempo de vida ativa, porque infelizmente esta doença progride. Representar já me custa muito, ainda penso bem mas para me deslocar já começo a ter problemas. Portanto, quero aproveitar para ir o mais longe que puder", diz aos jornalistas. Confessa que pensa na morte sem medo mas com pena de deixar aquilo que tanto gosta de fazer. Quer, portanto, aproveitar para continuar a fazer teatro enquanto conseguir e isso lhe der prazer. E para dizer a todos o quanto o entristece "esta filosofia das artes do espetáculo que está a baixar o nível de toda a atividade teatral".

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