Premium Toronto e Veneza - a corrida aos Óscares começa agora

Estamos longe das nomeações dos Globos de Ouro e dos Óscares mas a temporada dos prémios já começou com o anúncio dos títulos que vão estar em Veneza e em Toronto. Este é o primeiro cheirinho dos filmes premiáveis para os próximos meses.

Estão anunciados os filmes que vão competir para o Leão de Ouro de Veneza e para os prémios de Toronto 2018. Talvez mais do que nunca, estamos perante os filmes que vão desfilar na passadeira da temporada dos prémios deste ano. Óscares, Golden Globes e os prémios das associações americanas começam agora. É nesta altura que agentes, analistas e especialistas de marketing lançam o hype dos filmes que vão ser vistos nos festivais que nos últimos anos têm ditado os principais candidatos aos prémios da Academia.

Veneza, que começa já neste mês, joga muito no filme de abertura: O Primeiro Homem na Lua, de Damien Chazelle, com Claire Foy e Ryan Gosling. O realizador de Whiplash - No Limite e de La La Land aposta na odisseia da Neil Armstrong e da sua família durante o período em que o astronauta acabou por ser o primeiro homem a pisar na Lua. Depois de Os Eleitos, de Philip Kaufman, Hollywood volta a levar à corrida dos Óscares um filme sobre a corrida espacial. O primeiro trailer dá ideia de um fresco americano ancorado numa certa tradição clássica. Os lobbies americanos já estão a tratar de uma possível nomeação de melhor ator para Ryan Gosling, que andou perto do Óscar em La La Land.

Veneza é também o festival onde a Warner aposta todas as fichas em Assim Nasce Uma Estrela, de Bradley Cooper, mais uma história inspirada no musical que foi diversas vezes adaptado ao cinema deste os anos 1930. Cooper interpreta e realiza um drama musical no qual ele e Lady Gaga cantam sem truques de playback. Robert De Niro, numa antestreia privada, gabou a realização do seu colega ator e há muito boa gente que acredita que está aqui um dos raros casos que podem funcionar junto do público e da crítica.

Willem Dafoe extraordinário como Van Gogh

At Eternity's Gate, de Julian Schnabel, com Willem Dafoe, é outro dos trunfos do festival de Veneza. Rezam as boas línguas que Willem Dafoe é extraordinário como Vincent van Gogh no seu período de permanência em Arles, embora o grande problema do filme seja ser verdadeiramente independente, sem laços a sales agents de Hollywood.

Mais isca para prémios é The Favourite, de Yorgos Lanthimos, o realizado de A Lagosta, que agora se propõe fazer um biopic da rainha Ana, com um elenco que cheira a prémios: Emma Stone, Rachel Weisz e Olivia Collman. Diz-se que pode ser uma variação cínica de Barry Lyndon, de Kubrick. Está na altura de o cineasta grego deixar de ser um "querido dos festivais" e passar a ganhar estatuto na Academia norte-americana.

Toronto tem trunfos que fazem Veneza estremecer de inveja, sobretudo o drama A Beautiful Boy, de Felix van Groeningen, com Timothée Chalamet, a história de um jovem que se debate com o pai (Steve Carell) com o seu problema de toxicodependência. É uma das grandes apostas de Hollywood para os Óscares, recuperando a tradição dos melhores melodramas que encenam casos entre pais e filhos. Depois de Chama-me pelo Teu Nome, o jovem Chalamet transformou-se no novo benjamin de Hollywood.

E se Toronto há dois anos foi fundamental para Moonlight, de Barry Jenkins, chegar ao triunfo nos Óscares, neste ano o mesmo realizador apresenta em estreia mundial If Beale Street Could Talk, com Pedro Pascal e a revelação Kiky Lane, baseado no romance de James Baldwin, um filme que supostamente o Festival de Cannes tentou e não conseguiu, tal como outros dos potenciais candidatos à temporada dos prémios, The Life and Death of John F. Donovan, do canadiano Xavier Dolan, com Kit Harington, sobre o culto das celebridades na cultura americana. É a primeira vez que Dolan filma em inglês e há quem acredite que Susan Sarandon e Natalie Portman tenham interpretações dignas de nomeações.

O TIFF, como é conhecido o Festival de Toronto, tem ainda como potencial premiado na temporada dos prémios The Old Man and the Gun, de David Lowery, com Robert Redford, naquele que é o último papel do ator. Esta semana, Redford anunciou que esta será a última aparição no cinema. The Old Man and Gun torna-se assim um dos acontecimentos do ano, sobretudo se pensarmos que o filme anterior de Lowery é essa pérola perdida chamada A Ghost Story, que em Portugal apenas chegou em home cinema.

Veja o trailer de Old Man and the Gun:

Hugh Jackman também joga as suas fichas para uma campanha de melhor ator no TIFF com The Front Runner, drama político sobre uma campanha eleitoral nos anos 1980 realizado por Jason Reitman, um cineasta que este ano já nos deu Tully, com Charlize Theron. Se o filme for mesmo bom poderá ir para além das aspirações da glória de Jackman...

Incógnita é também Viúvas, thriller de Steve McQueen que tem um elenco que inclui Viola Davis, Michelle Rodriguez e Liam Neeson. É um filme com carga de discurso feminino e fala-nos sobre um grupo de viúvas que decide continuar a veia criminosa dos seus maridos. Trata-se da grande aposta da Fox para os Óscares...

Enquanto isso, Robert Zemeckis e o seu Bem-Vindos a Marwen, com Steve Carell, não está em nenhum destes festivais, bem como On the Basis of Sex, de Mimi Leder, objeto supostamente liberal em tom feminista sobre Ruth Bader Ginsburg, ativista feminista que conseguiu ser juíza no Supremo Tribunal Americano. Felicity Jones tem aqui aquele que pode ser o grande papel da sua vida depois de A Teoria de Tudo, em 2014.

Veja o trailer de Bem-Vindos a Marwen:

Estamos no verão e é agora que os candidatos à glória de 2019 estão ao rubro...

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.