Premium O som do silêncio

Na praia da Barra, onde morei durante quatro anos, era o vento, o grasnar das gaivotas e, de vez em quando, o mar.

Em Florença, onde fiz o doutoramento, chegava dos sinos distantes, das vozes estranhas e desesperadas do hospital psiquiátrico em frente e dos comboios a passar (aprendi que até os comboios podem transportar silêncios).

Em Lisboa o silêncio esconde-se, mas anda por aí, nos pássaros que debicam a nespereira do vizinho, nos rádios sintonizados em estações distantes, nos pés que se arrastam lentamente pelo soalho, nas asas dos pombos, nos gatos que são silêncios de quatro patas. A vizinha suspira, ou sou eu que invento o suspiro, alguém canta ou sou eu que invento melodias.

Nuno Camarneiro

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nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

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Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.