Morte de recrutas. Comandos acusam Exército de "indiferença" face a acusados

Associação de Comandos abriu conta bancária para recolher donativos que ajudem a pagar custas judiciais dos 19 militares acusados da morte de dois recrutas.

A Associação de Comandos abriu uma conta solidária para angariar donativos que ajudem a pagar as custas judiciais dos 19 militares da especialidade acusados da morte de dois recrutas, em setembro de 2016, face à ausência de apoios do Exército.

"A situação destes militares tem sido votada a um total alheamento e indiferença pela instituição em que se integram", lamentou a associação em mensagem enviada em meados de julho aos sócios e a que o DN teve acesso nesta semana.

O Exército "nunca lhes manifestou qualquer solidariedade institucional nem preocupação pelos constantes atentados à sua dignidade, idoneidade e bom nome", prosseguiu o presidente da associação, José Lobo do Amaral.

"Nem uma palavra", lamentou ao DN o coronel Oliveira Marques, membro do Conselho Superior da Associação de Comandos, para quem dar esse apoio a quem é inocente, até prova em contrário, é independente de os acusados "serem ou não condenados".

Em causa está o facto de o Exército só em julho ter respondido aos requerimentos - entregues ano e meio antes pelos 19 instrutores comandos - para obtenção de apoio judiciário.

O Exército respondeu negativamente aos pedidos, invocando as regras aprovadas dias antes de que tinha de ser o ramo a escolher os advogados. Por isso, os acusados optaram por não fazer novos pedidos e manter os seus representantes legais a três meses do julgamento, como o DN já noticiou.

Um oficial superior, que pediu o anonimato para falar à vontade, deixou uma interrogação comum a muitos dos quadros permanentes do ramo. "Qual a confiança no comando do Exército se e quando é preciso ele não está presente e marginaliza os seus homens?"

Esta conta solidária aberta pela Associação de Comandos é a segunda do género para apoiar aqueles 19 militares, cujo julgamento começa em setembro.

As custas com os advogados subirão exponencialmente a partir dessa altura, estimando-se verbas entre os dez mil e os 18 mil euros por cada um, como o DN já noticiou.

A primeira conta foi aberta pela Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA) no final de 2016, meses após as mortes dos dois recrutas - Hugo Abreu e Dylan Silva - nos primeiros dias de setembro e logo no início do 127.º curso de Comandos.

"Importa salientar que não está em causa o enfrentamento da Justiça, mas, apenas e tão-somente, facultar a esses militares os meios que permitam que ela se faça com rigor", explicou a AOFA aquando do lançamento dessa iniciativa.

As verbas já angariadas pela AOFA permitiram pagar a maior parte das custas judiciais até agora, tendo parte do trabalho dos advogados sido prestado a título gratuito - como reconheceu o presidente da associação na carta aos sócios.

Só que advogar a título gracioso é algo que "a curto prazo se tornará, por certo, insustentável", pelo que os réus - oito oficiais, oito sargentos e três praças - veem-se na necessidade de arcar com custas judiciais e honorários" sem ter, "face aos vencimentos que auferem, condições socioeconómicas compatíveis com tais encargos", observou Lobo do Amaral.

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