Premium Magic Leap One. O que é este gadget de que toda a gente fala?

Foram disponibilizados esta quarta-feira e, por enquanto, não são uma versão final ou têm disponibilidade além dos Estados Unidos. Mas, afinal, o que é que este Magic Leap One vai trazer de novo ao mundo tecnológico?

Em primeiro lugar, troquemos as palavras Magic Leap One "por miúdos": trata-se de um dispositivo de realidade aumentada, que permite a quem o usa ter acesso a uma visão bem mais dinâmica do mundo. É com um headset destes que se torna possível ver coisas que não existem na realidade, como estar sentado no escritório e descobrir um pequeno gnomo a passear, fundindo um mundo digital com o mundo real. Ao contrário da realidade virtual, que isola o utilizador, a ideia é mesmo a de juntar os dois ambientes, com o utilizador a ter sempre noção do sítio onde está.

Há muito que estes Magic Leap eram uma promessa no horizonte do mundo dos gadgets - anos, se formos a quantificar. E isso causou dissabores à empresa, também ela chamada Magic Leap, criada em 2011, que foi várias vezes acusada de apenas prometer um produto, sem apresentar nada de concreto.

Ao longo destes anos de promessa, que finalmente se materializaram neste headset, a empresa conseguiu arrecadar investimentos de grandes vultos do mundo tecnológico: em 2014, a Google investiu 542 milhões de euros na empresa liderada por Rony Abovitz; depois disso, também a chinesa Alibaba ou a J.P Morgan investiram na Magic Leap. No total, os investimentos conseguidos pela Magic Leap ultrapassaram os dois mil milhões de dólares, tudo na tentativa de atingir a visão criada para o headset.

No final do ano passado, a Magic Leap anunciava que o headset seria lançado algures em 2018, depois foi especificado que seria no verão, disponibilizando um site para se receber novidades quando o Magic Leap One entrasse em modo de pré-venda.

Agora que já estão oficialmente à venda, ainda que neste modo de edição especial, o preço surpreendeu muita gente: só estão disponíveis nos Estados Unidos, apenas em determinadas zonas, e custam 2300 dólares, o equivalente a 1982 euros.

O conjunto deste gadget é composto por três peças: o headset em si, chamado Lightwear, um pequeno computador "wearable", para fazer o processamento da informação, que recebeu o nome de Lightpack, e um comando, para que possa interagir com aquilo que está a ver.

O headset Lightwear tem pequenas câmaras, para que seja possível fazer o mapeamento do ambiente que tem à volta, além de câmaras na parte interior, que têm como objetivo acompanhar o movimento dos olhos de quem o está a utilizar.

Na parte da frente, há duas grandes lentes redondas - que, segundo o líder da equipa de design, Gary Natsume, têm como objetivo tornar-se na imagem de marca deste gadget, sendo facilmente reconhecíveis, contou ao The Verge. Há ainda uma entrada jack, para que seja possível ligar uns auscultadores; para quem os dispensar, o headset tem também pequenas colunas que se vão situar próximo das orelhas.

Falemos sobre o pequeno computador - que tem mesmo como objetivo ser colocado no bolso de quem está a utilizar o Magic Leap One. Conta com um processador Nvidia Tegra X2, 8 GB de memória, 128 GB de armazenamento e uma bateria cuja autonomia promete rondar as três horas de utilização.

Quem conseguir comprar os Magic Leap One, não vai ter muita coisa com que se entreter, pelo menos por enquanto. Esta primeira edição, que se destina a designers, artistas e programadores, chega acompanhada de um pequeno número de experiências de realidade aumentada. Há uma colaboração com a banda islandesa Sigur Rós, chamada 'Tónandi', que serve para demonstrar a tecnologia de som envolvente que integra os óculos.

Também há uma aplicação chamada Create, um espaço para os utilizadores darem largas à imaginação. Os utilizadores vão ainda poder aceder a um jogo de tiros chamado 'Dr. Grordbort"s Invaders'.

Por enquanto, estes Magic Leap vão poder mostrar o potencial da realidade aumentada noutro tipo de suporte - a capacidade de envolvimento é maior num headset deste género do que no ecrã de um smartphone, claro. Resta saber quando é que se passará de uma versão dedicada a criadores a uma versão de consumo, com uma disponibilidade mais abrangente.

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

Males por bem

Em 2012 uma tempestade atingiu Portugal, eu, que morava na praia da Barra, fiquei sem luz nem água e durante dois dias acompanhei o senhor Clemente (reformado, anjo-da-guarda e dançarino de salão) fixando telhados com sacos de areia, trancando janelas de apartamentos de férias e prendendo os contentores para que não abalroassem automóveis na via pública. Há dois anos, o prédio onde moro sofreu um entupimento do sistema de saneamento e pude assistir ao inferno sético que lentamente me invadiu o pátio e os pesadelos. Os moradores vieram em meu socorro e em pouco tempo (e muito dinheiro) lá conseguimos que um piquete de canalizadores nos exorcizasse de todo mal.

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.