Salazar operado de urgência

A notícia fazia quase a totalidade da capa do Diário de Notícias, neste dia 7 de setembro de 1968. O estado de saúde de Salazar inspirava cuidado, mas o jornal tranquilizava os portugueses

DN
 | foto Arquivo DN
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A "notícia que emocionou o país" fazia quase o pleno da capa deste número: "Salazar operado de urgência". O DN informava logo, porém, que o último boletim médico dava conta de que a cirurgia fora bem sucedida e tudo decorria com normalidade na recuperação.

A notícia era apresentada como "inesperada e algo dramática". "À hora em que o trabalho normalmente se inicia, a Emissora Nacional espalhava aos quatro ventos (...) os termos de um boletim médico em que se anunciava que o professor dr. Oliveira Salazar havia sido submetido a uma intervenção cirúrgica." Notícia que, dada a seco e sem grandes explicações, "causou em todos os cantos da terra portuguesa um certo alarme, provocado pela profunda admiração, respeito e carinho que todos lhe consagram", escrevia o DN.

Detalhava-se em seguida o que levara à operação - na sequência de uma queda, a 3 de agosto, tendo batido com a cabeça mas fazendo desde então a vida normal, até que, nos tempos mais recentes, começara "a sentir perturbações que lhe afetavam principalmente a visão e os movimentos", considerando os médicos que o melhor era operar.

Descrevendo os sucessivos boletins médicos e as mensagens chegadas por telegrama de Espanha e do Brasil, entre outros, o jornal descansava o país afirmando que "tudo indica que o pós-operatório se processa normalmente". "O chefe de Estado, Américo Thomaz, permaneceu no hospital enquanto decorreu a intervenção", realçava o DN, acrescentando que "mensagens de ansiedade e votos de melhoras" haviam chegado "de todo o país e do estrangeiro".

Era o princípio do fim do regime, 40 anos depois. Vinte dias mais tarde, Salazar seria afastado do governo, sendo chamado para chefiar o governo Marcello Caetano, que viria a ser destituído no 25 de Abril de 1974.